Mousavi apoia Karoubi em denúncias contra abusos em prisões

Líderes da oposição acusam agentes do governo por estupros cometidos contra presos por protestos

Reuters

18 de agosto de 2009 | 12h50

O líder da oposição iraniana, Mirhossein Mousavi, acusou "agentes do governo" de estuprar e abusar sexualmente de presos detidos após a polêmica eleição presidencial de 12 de junho, conforme informou nesta terça-feira, 18, um site ligado a reformistas.

 

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A acusação dá suporte ao discurso de outro líder da oposição, Mehdi Karoubi, que foi criticado por políticos conservadores após dizer que alguns manifestantes foram estuprados na cadeia. As autoridades rejeitaram as acusações, dizendo que elas "não têm fundamento".

"Elas (as autoridades) pediram a aqueles que sofreram abusos ou estupros na prisão que apresentem quatro testemunhas... os que cometeram os crimes foram os agentes do governo", disse Mousavi em carta a Karoubi, de acordo com o site reformista mowjcamp.com. "Eles estavam ameaçando os detentos, para que mantivessem o silêncio... não dá para apaziguar as pessoas oprimidas com dinheiro ou com força", continuou o candidato derrotado nas eleições pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Alguns políticos de linha dura pediram que Karoubi fosse preso ou levado a julgamento caso não conseguisse provar as acusações de abuso. Karoubi afirma ter evidências de maus tratos aos detentos. Na quinta-feira passada, ele disse que alguns dos presos haviam morrido sob tortura.

"Eu exalto a sua coragem e espero que outros clérigos se juntem e fortaleçam seus esforços", disse Mousavi na carta. "A principal missão do clérigo revolucionário é refletir a realidade, mas alguns fecharam os olhos e ignoraram essa responsabilidade", acrescentou.

O Irã prendeu milhares de pessoas depois da eleição, na pior crise de revolta social desde a revolução islâmica, há três décadas. Pelo menos 200 pessoas continuam na cadeia, incluindo políticos moderados, ativistas, advogados e jornalistas.

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