Mudança de tom dos EUA divide lideranças iranianas

Chancelaria diz que regime vai cooperar se houver mudança política americana; aiatolás criticam discurso

Agências internacionais,

30 de janeiro de 2009 | 10h08

O ministro de Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, afirmou em participação no Fórum Econômico de Davos na quinta-feira que o governo iraniano está pronto para cooperar com o presidente Barack Obama caso os Estados Unidos mudem suas políticas e práticas na região. Segundo a edição do jornal britânico The Guardiam aponta nesta sexta-feira, 30, a postura do chanceler, declarada após a informação de que a equipe de Obama estaria preparando uma carta para pediu pelo diálogo direto com Teerã, contrasta com a posição de setores diferentes que participam do regime.  O aiatolá Ahmad Jannati, líder do Conselho de Guardiães iraniano e apoiador do presidente Mahmoud Ahmadinejad, criticou a reaproximação e acusou os que apoiam a proposta de "causadores de problemas" vindos de "grupos odiados". O chanceler afirmou que "se o novo governo dos Estados Unidos for mudar suas políticas, como disse o senhor Obama, não só da boca para fora mas na prática, definitivamente eles vão ter uma reação e uma abordagem mais cooperativas na região". "E o Irã não está excluído desse entendimento geral na nossa região".  O jornal aponta que diplomatas em Londres e Washington ressaltaram que não serão decididas posições sobre os próximos passos que serão dados na relação com o Irã até o fim da revisão das políticas do novo governo, que começou logo após a posse de Obama, em 20 de janeiro. Entretanto, serão realizados importantes encontros na próxima semana que mostram que os EUA mantém a parceria com os países negociadores para que o Irã interrompa seu programa nuclear. Representantes políticos das chancelarias dos seis países participantes das conversas com Teerã - EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China - se encontraram em Frankfurt para discutir as novas políticas de Obama e tentar alcançar uma posição em comum para o projeto atômico. Obama e sua secretária de Estado, a ex-primeira-dama Hillary Clinton, passaram a última semana demonstrando sinais de que as portas para o diálogo com o Irã estão abertas depois de mais de três décadas da Revolução Islâmica. Porém, oficiais americanos afirmaram que os meios para a aproximação ainda estão sendo discutidos. No dia seguinte após o jornal britânico divulgar a informação sobre a carta direcionada ao povo iraniano com a proposta de conversas bilaterais, a Casa Branca afirmou que todas as opções estão na mesa com Teerã, questionado sobre o possível uso de força militar. Segundo os EUA, um dos problemas para o governo Obama é tentar estabelecer com quem conversar no Irã, referindo-se aos múltiplos centros de poder do regime. Segundo o jornal Washington Post, outro fator que complica as negociações dos EUA além do alinhamento com os parceiros negociadores é a eleição presidencial iraniana, em junho. Oficiais americanos querem evitar qualquer passo que possa fortificar o atual presidente, Ahmadinejad, cujas atitudes radicais e antissemitas o tornaram um potencialmente difícil interlocutor para qualquer aproximação diplomática. Dennis Ross, ex-enviado para o Oriente Médio que será o conselheiro sênior de Hillary sobre o Irã, recomendou que as aproximações com o regime sejam diretas e secretas, saída para evitar o fortalecimento do presidente iraniano ou minar publicamente as negociações contra o programa nuclear.

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