Mulher-bomba mata 43 e fere 73 pessoas no Iraque

Atentado atinge zona central da cidade xiita de Kerbala; sete iranianos podem estar entre as vítimas

Associated Press, Reuters e BBC Brasil,

17 de março de 2008 | 13h12

Uma mulher-bomba detonou explosivos amarrados em seu corpo e matou pelo menos 43 pessoas, ferindo outras 73 em um raro ataque na cidade sagrada xiita de Kerbala, segundo informações da polícia e de autoridades médicas, nesta segunda-feira, 17. A explosão ocorreu no momento em que o vice-presidente norte-americano, Dick Cheney, e o candidato republicano à Presidência, John McCain, faziam uma visita surpresa ao país.   O incidente ocorreu num café próximo do mausoléu do Imã Hussein, um dos lugares mais sagrados para os muçulmanos xiitas, situado na zona de al Mujaiam, no centro de Kerbala, a 110 quilômetros ao sul de Bagdá. Por ser uma cidade sagrada para muçulmanos xiitas, Karbala atrai peregrinos do Irã e do sul do Iraque.   Karbala já foi alvo de ataques suicidas no passado. Cerca de cem pessoas foram mortas em dois ataques diferentes em abril de 2007.   Karim Khazim, secretário de saúde de Kerbala, disse que havia sete iranianos entre os 32 mortos. O governador da província, Aqeel Khazali, afirmou que uma mulher foi a responsável pelo ataque.   De acordo com autoridades iraquianas, há uma certa relutância de fundo cultural em revistar mulheres. Desde o início do ano, diversos atentados suicidas no Iraque foram cometidos por mulheres. Ainda não há pistas dos responsáveis pelo incidente, mas autoridades americanas acreditam que sunitas da Al-Qaeda estejam por trás do ataque.   De acordo com Adam Brookes, correspondente da BBC, o ataque desta segunda-feira parece ser um ato calculado para provocar os muçulmanos xiitas em um momento em que a maior milícia xiita do país, o Exército Mehdi, mantém um cessar-fogo e dá sinais de ser capaz de controlar seus insurgentes.   Visita de Cheney e McCain   A violência ocorreu no momento em que o vice-presidente dos Estados Unidos Dick Cheney e o candidato republicano à Casa Branca John MacCain faziam uma visita surpresa ao país.   Tanto Cheney quanto McCain foram defensores do envio de reforços norte-americanos para o Iraque, em 2007, o que Washington diz ter evitado uma guerra civil entre xiitas e sunitas no país.   Em sua terceira visita ao Iraque, o vice-presidente disse ter notado "mudanças fenomenais" e melhorias "dramáticas" desde sua última visita, há dez meses. Cheney inicia um novo esforço para promover a unidade política no país, às vésperas do quinto aniversário da invasão dos Estados Unidos. Atualmente, os EUA mantém uma força de 160 mil soldados no Iraque, onde já perdeu quase 4 mil.   McCain, que apostou seu futuro político no sucesso militar dos Estados Unidos no Iraque, se reuniu nesta segunda, 17, com o primeiro-ministro Nuri al-Maliki, pouco antes do líder iraquiano conversar separadamente com Cheney. Al-Maliki disse ter discutido com o vice-presidente americano sobre as negociações para um acordo de segurança de longo prazo, que substituirá o mandato das Nações Unidas para a presença de tropas estrangeiras que termina no final de 2008.   (Matéria atualizada às 19h10)

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