Mulher guiou bombas da Otan contra alvos de Gaddafi

A campanha de bombardeio da Otan que conseguiu enfraquecer o governo de Muammar Gaddafi tinha uma 'arma' secreta: uma mulher líbia de 24 anos que passou meses espionando as instalações militares e informando os detalhes à aliança.

CHRISTIAN LOWE, REUTERS

12 Setembro 2011 | 14h31

A mulher, que operava sob o codinome Nomida, usou métodos complicados para evitar a captura - mudando constantemente sua localização, usando múltiplos cartões telefônicos e escondendo suas atividades de todos com a exceção dos membros mais próximos de sua família.

A maior proteção que tinha para não ser presa pelas forças de segurança de Gaddafi era o seu gênero: como jovem mulher na sociedade conservadora muçulmana, ela não levantava suspeita.

"Eu não estava no radar", disse a mulher, que é engenheira, à Reuters em uma entrevista no lobby de um hotel de Trípoli, duas semanas depois de a rebelião romper o controle de Gaddafi sobre a capital líbia após 42 anos no poder.

"Eles estavam se concentrando mais nos rapazes e era quase impossível pensar que uma garota estava fazendo tudo isso."

Nomida conversou com a Reuters sob a condição de que a sua identidade real não fosse revelada: ela disse que, embora Trípoli estivesse agora sob controle do novo governo interino, ainda há uma "quinta coluna" de homens leais a Gaddafi que podem atacá-la ou a sua família.

O relato que ela deu sobre suas atividades foi confirmado por outras duas pessoas que integravam uma rede anti-Gaddafi e a ajudou enviar os detalhes sobre as forças de segurança dele.

"(Ela era) uma fonte muito importante e muito confiável", disse Osama Layas, patologista forense que integrou a rede.

Quando Nomida iniciou suas atividades secretas há cinco meses, Gaddafi e suas forças de segurança mantinham a cidade sob controle e sufocava qualquer informação que poderia ser útil a seus opositores.

As linhas telefônicas eram monitoradas, as mensagens de texto dos celulares era bloqueadas e a Internet era disponível apenas aos escritórios do governo e para um grupo de jornalistas estrangeiros mantidos sob vigilância em um hotel cinco estrelas.

Alta e magra, com um echarpe verde sobre a cabeça, Nomida disse ter sido levada a agir depois da forma brutal como as forças de Gaddafi reprimiram as primeiras levas de revolta nas cidades do país.

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