Multidão na Líbia ataca ônibus com jornalistas estrangeiros

Líbios com armas e facas atacaram um ônibus que transportava jornalistas neste sábado e um soldado fez disparos para o ar para dispersar a multidão, afirmou um jornalista da Reuters que estava no veículo.

REUTERS

21 de maio de 2011 | 16h02

O ataque sinalizou a raiva da população com relação à grave escassez de combustível em meio à campanha de dois meses de bombardeiros da Otan contra o governo de Muammar Gaddafi. Publicações da mídia estatal afirmam que os jornalistas estrangeiros não divulgam informações corretas.

Ônibus têm prioridade sobre outros veículos na aquisição de combustível.

Uma multidão rapidamente se formou e parte dela invadiu o ônibus depois de arrombar as portas do veículo. Pelo menos duas pessoas estavam armadas com pistolas e uma tinha uma faca, afirmou o produtor de televisão da Reuters, Guy Desmond.

Um assistente de produção da BBC que estava no ônibus, um guarda do governo e um soldado conseguiram afastar a multidão e foram agredidos no processo. Os pneus do ônibus foram cortados e um soldado disparou para o alto para afastar os revoltosos.

"Não tenho dúvida que esses caras salvaram as nossas vidas", disse Desmond. O ônibus foi conduzido para uma base policial e os jornalistas voltaram depois para um hotel em Trípoli onde a mídia estrangeira está baseada. Ninguém foi ferido no incidente.

Um representante sênior do ministério da Informação afirmou que "reportagens incorretas" estão alimentando ressentimento na população contra a mídia estrangeira.

Dois fotojornalistas foram mortos a tiros no mês passado depois de ficarem sob tiroteio na cidade líbia sitiada de Misrata.

Um fotógrafo sul-africano freelance está desaparecido desde abril e acredita-se que tenha morrido depois de tomar um tiro no estômago e ser abandonado no deserto por forças favoráveis a Gaddafi, afirmou sua família na sexta-feira.

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