Muqata de Ramallah vira fortaleza militar para receber Bush

Assunto central das conversas será a exigência de impedir que Israel amplie assentamentos na Cisjordânia

Efe,

10 de janeiro de 2008 | 05h23

A Muqata de Ramallah, sede da Presidência e do governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP), se transformou nesta quinta-feira, 10, em uma fortaleza militar para que o presidente palestino, Mahmoud Abbas, possa receber o dos Estados Unidos, George W.Bush. Cerca de 4 mil agentes de diversos órgãos de segurança protegem o complexo presidencial, junto ao mausoléu que guarda os restos do antecessor de Abbas, o histórico líder palestino Yasser Arafat. Bush deve chegar por volta das 9 horas à Muqata (5 horas de Brasília), viajando de carro. O mau tempo obrigou a suspender o deslocamento de Jerusalém à Cisjordânia de helicóptero. Desde começo da manhã, a Polícia retirou todos os veículos das proximidades do complexo de edifícios do governo do primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad. Nesta quarta-feira, em seu primeiro dia de visita à região, Bush se reuniu em Jerusalém com o presidente israelense, Shimon Peres, e com o Gabinete do primeiro-ministro Ehud Olmert. Ele debateu os supostos planos atômicos do Irã e as negociações de paz entre israelenses e palestinos. Nesta quinta, na Muqata, o assunto central das conversas será, segundo funcionários do governo palestino, a exigência de impedir que Israel amplie os assentamentos judaicos na Cisjordânia. Abbas quer também o despejo de dezenas dos enclaves ou "assentamentos ilegais". Colonos extremistas israelenses rejeitam a visita de Bush. Há dois dias, eles lançaram as bases de mais 10 "mini-assentamentos" em vários pontos da Cisjordânia. Olmert aceitou a remoção dos enclaves como uma obrigação, que prometeu cumprir após a visita de Bush, segundo o vice-primeiro-ministro Haim Ramon, seu principal conselheiro político. Bush declarou na quarta durante uma entrevista coletiva com Olmert que Israel deve remover os enclaves. Nesta quinta, ele disse que perguntará a Abbas o que será feito para que os milicianos palestinos da Faixa de Gaza suspendam seus ataques com foguetes Qassam e morteiros. Militantes do Hamas, da Jihad Islâmica e de outros grupos palestinos na Faixa de Gaza protestaram contra a visita de Bush e queimaram bandeiras dos EUA e de Israel. Alguns dirigentes convocaram os militantes na Cisjordânia a se manifestar também. Os policiais palestinos controlam neste momento a área da Muqata, sob virtual estado de sítio, dirigidos por oficiais de segurança do entorno de Bush, como aconteceu com a Polícia de Jerusalém.

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