Musharraf força fechamento de TV nos Emirados Árabes

A decisão de fechar os canais "Geo TV" e "ARY" atendeu a um pedido do Governo paquistanês

EFE

17 de novembro de 2007 | 05h46

O Governo dos Emirados Árabes Unidos ordenou o fechamento de duas redes de televisão paquistanesas que transmitiam de seu território e eram críticas ao presidente do Paquistão, Pervez Musharraf. A decisão de fechar os canais "Geo TV" e "ARY" atendeu a um pedido do Governo paquistanês. Os dois transmitiam sua programação de Dubai desde que seu sinal foi suspenso pelo regime de Musharraf, no dia 3 de novembro, quando o presidente decretou o estado de exceção no país. Após o decreto, os canais de televisão locais e internacionais desapareceram dos aparelhos de TV paquistaneses, devido às restrições à imprensa impostas pelo estado de exceção. O Governo proibiu qualquer conteúdo que pudesse atingir a honra do presidente, ou do Exército. Os canais privados foram obrigados a assinar um código de conduta de 14 páginas para poder retomar suas transmissões. Alguns deles, como o "Dawn" e o "Aaj", aceitaram a imposição. "Geo" e "ARY", porém, se recusaram. Os dois canais continuavam sendo vistos no Paquistão via internet ou satélite. Em seu site, a "Geo TV" acusou diretamente o general Musharraf de pedir que as autoridades dos Emirados Árabes impedissem novas transmissões a partir de Dubai, onde a rede tem estúdios. Segundo o presidente da emissora, Imran Aslam, como o canal podia ser captado no Paquistão por parabólicas, as autoridades proibiram a importação de antenas e outros equipamentos para receber sinais por satélite. Além disso, técnicos do Governo procuraram bloquear a transmissão via internet. "Estamos surpresos com as autoridades de Dubai, que se desenvolveu como uma célula de livre-comércio e comunicações", disse um comunicado do Comitê para a Proteção dos Jornalistas, em Nova York. "Pedimos às autoridades do Paquistão e dos Emirados que retirem a ordem imediatamente e permitam que os canais privados de televisão informem sem serem submetidos a restrições", disse no comunicado o diretor-executivo da organização, Joel Simon. Os principais partidos da oposição condenaram o fechamento da rede. Em Karachi, no sul do Paquistão, houve uma passeata de jornalistas em protesto contra o fechamento. O general Musharraf prometeu em várias ocasiões respeitar a liberdade de informação no Paquistão.Mas nos últimos tempos vinha exigindo "responsabilidade" da imprensa.

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