Na Etiópia, Hillary Clinton pede que países africanos abandonem Kadafi

Secretária de Estado dos EUA pediu que países da UA abracem as reformas e se afastem de ditador líbio

ANDREW QUINN, REUTERS

13 de junho de 2011 | 17h35

Hillary Clinton discursa na Etiópia durante apagão

 

ADIS ABEBA, ETIÓPIA - A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, pediu aos líderes africanos nesta segunda-feira, 13, que abandonem o ditador líbio Muamar Kadafi e abracem as reformas democráticas, antes de encurtar sua viagem à África com a proximidade de uma nuvem de cinzas de vulcão na Eritreia.

 

Hillary, a primeira secretária de Estado dos EUA a falar para a União Africana (UA) e os seus 53 países membros, disse que líderes africanos que não reformassem os seus regimes estavam em risco por conta da onda de protestos por democracia que varre o Oriente Médio e o norte da África. Segundo ela, "o status quo está quebrado e as maneiras antigas de se governar não são mais aceitáveis".

 

"É verdade que Kadafi desempenhou um papel muito importante em fornecer apoio financeiro para várias nações africanas e instituições, incluindo a UA", disse Hillary na sede do bloco africano na capital da Etiópia, Adis Abeba. "Mas agora está claro que o momento dele no poder passou faz tempo".

 

Coalizão internacional

 

Ela pediu aos Estados africanos para se juntarem à coalizão internacional que exige a saída de Kadafi como condição para um cessar-fogo na Líbia. Vários dos integrantes da UE têm laços diplomáticos e financeiros profundos com o ditador líbio rico por conta do petróleo.

 

A secretária de Estado americana também pediu para que os países fechassem embaixadas líbias, expulsassem os seus diplomatas e construíssem laços com o Conselho Nacional de Transição, liderado pelos rebeldes de Benghazi, que os Estados Unidos e seus aliados na Europa e no mundo árabe promovem como o futuro governo interino do país.

Sudão

 

Por conta da nuvem de cinzas geradas pelo vulcão Dubbi, Hillary cancelou uma entrevista coletiva que faria com as delegações do norte do Sudão e sul do Sudão. Ela, contudo, chegou a se reunir com o primeiro-ministro da Etiópia, Meles Zenawi, conforme planejado. A violência piora em partes do Sudão às vésperas da independência formal do sul do país no dia 9 de junho.

 

O presidente sudanês, Omar Hassan al-Bashir, concordou no domingo em retirar as tropas da região disputada de Abyei antes da separação do sul, uma decisão que pode ajudar a aliviar as tensões. No entanto, os dois lados precisam ainda concordar em temas delicados sobre como definir uma fronteira comum e como dividir as receitas com petróleo, o que abre espaço para mais conflitos.

 

Hillary, falando antes da sua chegada em Adis Abeba durante uma parada na Tanzânia, disse que os EUA apoiaram a proposta de enviar negociadores de paz etíopes para a disputada região de Abyei.

 

Apagão

 

A secretária de Estado falou no escuro na sede da UE em Adis Abeba, depois que um apagão atingiu o local.

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