Na Líbia, seguidores de Gaddafi se contrapõem ao 'Dia de Fúria'

Centenas de seguidores do líder líbio Muammar Gaddafi se reuniram nesta quinta-feira na capital do país para se contraporem ao "Dia de Fúria" convocado por ativistas de oposição inspirados nas recentes rebeliões contra as ditaduras do Egito e Tunísia.

REUTERS

17 de fevereiro de 2011 | 10h25

A entidade norte-americana Human Rights Watch disse que as autoridades líbias detiveram 14 ativistas, escritores e manifestantes que preparavam protestos contra o governo. Houve relatos não confirmados de que duas pessoas foram mortas no leste do país.

Num país onde manifestações de dissidência raramente são toleradas, o protesto vem sendo organizado por ativistas anônimos por meio de redes sociais como Facebook e Twitter. Em alguns pontos do país, os serviços telefônicos estão cortados.

Gaddafi governa a Líbia desde 1969, e é o mais veterano líder africano. Agora o país começa a sentir os efeitos das revoltas que recentemente derrubaram ditaduras nos vizinhos Egito e Tunísia.

Um repórter da Reuters disse que os partidários do governo se reuniram na praça Verde, perto da parte velha de Trípoli. "Estamos defendendo Gaddafi e a revolução!", gritavam eles. "A revolução continua!"

Na Líbia, o golpe militar que levou o coronel ao poder em 1969 é chamado de revolução. Não havia sinais de protestos contra o governo no local.

Na rua Omar al Mokhtar, principal artéria da capital, o tráfego era normal. Bancos e lojas estavam abertos, e não havia reforço policial.

Testemunhas e a imprensa local relataram que centenas de pessoas entraram em choque com a polícia e com partidários de Gaddafi na noite de terça-feira em Benghazi, cerca de 1.000 quilômetros a leste de Trípoli. Na noite de quarta-feira, era impossível entrar em contato com testemunhas nessa cidade, porque as conexões telefônicas aparentemente estavam interrompidas.

A TV Al Jazeera e usuários do Facebook disseram que duas pessoas morreram na quarta-feira durante protestos em Al Bayda, a leste de Benghazi. Não foi possível confirmar esses relatos.

Sem citar os distúrbios, Gaddafi declarou numa entrevista divulgada na quarta-feira que "os revolucionários" (seus partidários) irão prevalecer. "Abaixo os inimigos, abaixo em todo lugar; abaixo os fantoches em todo lugar, os fantoches estão caindo, as folhas do outono estão caindo", afirmou ele, segundo a BBC. "Os fantoches dos EUA, os fantoches do sionismo estão caindo."

Uma alta fonte do governo líbio disse, também à BBC, que as autoridades "não permitirão que um grupo de pessoas saia por aí à noite brincando com a segurança da Líbia".

Embora alguns líbios se queixem do desemprego, da desigualdade social e das restrições às liberdades políticas, analistas acham improvável que o país tenha uma rebelião como a do Egito, porque o governo pode usar os dividendos do petróleo para aplacar a maior parte dos descontentamentos sociais.

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