Na ONU, Amorim defende fim de arsenais nucleares e acordo com o Irã

Chanceler brasileiro considera essa realidade como 'anacrônica' e pede desarmamento atômico

Efe

15 de junho de 2010 | 11h00

GENEBRA - O ministro de Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, lamentou a nesta terça-feira, 15, a "infeliz identificação" dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) com os cinco Estados nucleares reconhecidos pelo Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) e defendeu uma mudança dessa realidade "anacrônica".

 

Veja também:

linkAhmadinejad: 'acordo ainda está vivo'

linkPara o Irã, sanções da UE são ilógicas

especialEspecial: O programa nuclear do Irã

lista Veja as sanções que já foram aplicadas ao Irã

 

Em um discurso na Conferência sobre Desarmamento da ONU, em Genebra, Amorim também reiterou sua defesa do acordo assinado entre Brasil, Turquia e Irã em busca de uma solução para a polêmica envolvendo o programa nuclear iraniano e lamentou que não foi dada nem sequer "uma oportunidade" ao acordo.

 

"O poder mundial está se reconstruindo. No terreno econômico e financeiro foi possível algum progresso. Mas no político, não foram preenchidas as brechas na legitimidade e na eficácia. E isto é especialmente certo no que diz respeito à paz e à segurança internacional", disse Amorim.

 

"A infeliz identificação dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU com os cinco Estados nucleares reconhecidos pelo TNP faz com que as decisões nesse âmbito sejam uma espécie de terreno reservado", acrescentou.

 

Por isso, Amorim disse que a Conferência sobre Desarmamento deve ajudar a mudar essa "realidade anacrônica". "A melhor garantia de não-proliferação é a eliminação total das armas nucleares. E a forma mais efetiva de reduzir os riscos de uma má utilização dos materiais nucleares por atores não estatais é a eliminação irreversível de todos os arsenais nucleares", acrescentou.

 

Amorim se referiu, além disso, ao acordo de troca nuclear assinado entre Brasil, Irã e Turquia, e disse que "o diálogo e a diplomacia" podem ajudar a superar obstáculos. O ministro disse que Turquia e Brasil - ambos membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU - "estavam guiados pelo objetivo de encontrar uma fórmula que garantisse o direito do Irã a um uso pacífico da energia nuclear, dando garantias de que o programa nuclear iraniano tem fins unicamente pacíficos".

 

No entanto, Amorim disse não entender "por que não foi dada (ao acordo) pelo menos uma oportunidade de dar seus frutos", depois que o Conselho de Segurança aprovou novas sanções contra Teerã. "Se as partes decidirem em algum momento voltar à mesa de negociações, enfrentarão um desafio ainda maior", acrescentou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.