Saurabh Das / AP
Saurabh Das / AP

Catar entrega resposta às exigências da Arábia Saudita e aliados para resolver crise na região

País havia rejeitado a lista com as condições estabelecidas pelos países árabes pois alegou que elas atentam contra sua soberania nacional

O Estado de S.Paulo

03 Julho 2017 | 02h49
Atualizado 03 Julho 2017 | 08h44

DOHA - O Catar entregou nesta segunda-feira, 3, sua resposta à lista de 13 exigências formuladas pela Arábia Saudita e seus aliados para resolver a crise na região, informou uma fonte do Golfo.

A resposta foi entregue ao emir do Kuwait, xeque Sabah al-Ahmad Al-Sabah, pelo ministro das Relações Exteriores do Catar, xeque Mohamed bin Abdulrahman Al-Thani, que faz uma curta visita ao país. O Kuwait atua como mediador na crise diplomática da região.

Por esta razão, a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito aceitaram prolongar por 48 horas o ultimato de 10 dias, que expirou a meia-noite.  Na quarta-feira, os ministros das Relações Exteriores dos quatro países se reunirão no Cairo para discutir e decidir os "mecanismos a serem adotados posteriormente", segundo as autoridades egípcias.

O Catar, isolado por seu suposto apoio ao "terrorismo" e sua aproximação ao Irã - grande rival na região da Arábia Saudita - havia rejeitado de forma implícita a lista de exigências de seus adversários árabes, ao considerar que elas atentam contra sua soberania nacional.

A lista, que pede entre outras coisas o fechamento do canal de televisão Al Jazeera, a redução das relações com Teerã e o fechamento de uma base militar turca, foi enviada no dia 22 de junho a Doha, que tinha um prazo de 10 dias (até domingo à noite) para dar uma resposta.

O presidente dos EUA, Donald Trump, que já criticou o Catar, reiterou no domingo "a importância de deter o financiamento do terrorismo", objetivo que considera "primordial", e de "desacreditar a ideologia extremista", após conversas por telefone com o rei da Arábia Saudita, o príncipe herdeiro dos Emirados e com o emir do Catar, segundo um comunicado da Casa Branca.

"A lista de pedidos foi feita para ser rejeitada", declarou o chanceler do Catar no sábado em Roma.

Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Egito romperam no dia 5 de junho suas relações diplomáticas com o Catar, acusando o país de apoiar "o terrorismo" e de se aproximar do Irã, rival de Riad.

Doha nega as acusações e afirma que ninguém tem o direito de ditar sua política exterior. "Todo mundo é consciente de que esses pedidos aspiram a usurpar a soberania do Estado do Catar", afirmou Al Thani na capital italiana. / AFP

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