Faisal Al Nasser/Reuters
Faisal Al Nasser/Reuters

Nações do Golfo Pérsico podem permitir que cidadãos do catar permaneçam em seus países

Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes cortaram relações com o Catar no início desta semana, alegando que o país apoia grupos terroristas

O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2017 | 08h20

DOHA, CATAR - Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos sinalizaram, neste domingo, 11, que podem permitir que alguns cidadãos do Catar permaneçam em seus países mesmo com o rompimento diplomático com a nação do Golfo Pérsico. Enquanto isso, o Catar prometeu que os cidadãos dessas nações terão "liberdade completa" para ficar no país.

As três nações do Golfo cortaram os laços com o Catar no dia 5 de junho por causa do suposto apoio a grupos terroristas e ordenaram que todos os cidadãos do Catar deixassem o país dentro de 14 dias, enquanto chamaram seus próprios cidadãos de volta. Isso criou confusão em todas as nações sunitas do Golfo Pérsico, cujos cidadãos se casam regularmente e realizam negócios entre países que compartilham laços históricos e culturais.

Agora, os três países emitiram declarações indicando que famílias formadas por diferentes nacionalidades deveriam entrar em contato com seus respectivos ministérios do interior, que levariam em consideração as "circunstâncias humanitárias" da situação.

O Catar, por sua vez, emitiu uma declaração dizendo que os residentes do país provenientes das nações que cortaram laços teriam "liberdade completa" para permanecer em seu território, apesar das "campanhas hostis e tendenciosas" que são direcionadas a ele. "O estado do Catar, de acordo com suas convicções e princípios firmes, trabalha para evitar conflitos políticos com estados e governos ao lidar com seu povo", disse o ministério. "Aqueles residentes têm a liberdade total para permanecer no estado do Catar de acordo com as leis e regulamentos adotados pelo estado".

A crise diplomática, a pior desde a invasão do Kuwait pelo Iraque em 1990 e a subsequente Guerra do Golfo, levou nações árabes e outros países a cortarem os laços com o Catar, que abriga uma importante base militar dos EUA e será o anfitrião da Copa do Mundo da Fifa em 2022. Doha é um importante centro de conexões de viagens internacionais, mas o operador principal, a Qatar Airways, agora voa cada vez mais pelo Irã e Turquia, depois de ter sido bloqueado em outros lugares do Oriente Médio.

O emir governante do Kuwait passou por alguns países tentando mediar um fim para a crise. Neste domingo, o ministro das Relações Exteriores do Kuwait, xeque Sabah Al Khaled Al Sabah, disse em uma declaração que o Catar está "disposto a manter um diálogo" para terminar a crise e que a unidade entre as nações do Golfo permanece "primordial". Até agora, as nações envolvidas ainda não realizaram negociações presenciais.

*Com informações da Associated Press

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