'Não acreditamos em bombas nucleares', diz presidente do Irã

Após admitir a expansão do programa nuclear iraniano, Ahmadinejad reitera que país não fabrica armas atômicas

Efe,

28 de julho de 2008 | 21h09

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, assegurou, em entrevista a uma rede de televisão americana, que Teerã não está fabricando armas nucleares por não acreditar nelas e porque neste século elas não fazem sentido. "Não estamos fabricando uma bomba. Não acreditamos em bombas nucleares", disse Ahmadinejad em entrevista à rede NBC, que antecipou nesta segunda-feira, 28, um trecho da conversa.   Veja também: Irã diz que responde positivamente se EUA mudarem de postura   "As bombas nucleares pertencem ao século XX e vivemos em um novo século", insistiu o governante, nos jardins do palácio presidencial em Teerã. As declarações foram feitas depois que o próprio Ahmadinejad tivesse anunciado no sábado que o Irã possui entre cinco e seis mil centrífugas para o enriquecimento de urânio, quase o dobro das que tinha em abril.   O governante iraniano ressaltou que a história demonstrou que as armas nucleares não ajudaram os países a conseguir seus objetivos políticos, como no caso da antiga União Soviética.   No entanto, quando questionado se a mensagem do Irã ao mundo é de confronto ou de cooperação, Ahmadinejad preferiu não responder e aludiu à postura americana. "Esta é a pergunta que eu faço aos Estados Unidos", disse.   "Durante mais de 50 anos a política dos EUA foi a de confronto com os iranianos, mas hoje vemos um novo comportamento dos EUA", afirmou Ahmadinejad em referência à presença do número três do Departamento de Estado, William Burns, na reunião do último dia 19 em Genebra.   Nesse encontro, em Genebra, com o chefe da diplomacia européia, Javier Solana, o Irã rejeitou dar uma resposta concreta à oferta dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido) mais a Alemanha, para que abandonasse seu programa nuclear.   A pergunta é, segundo Ahmadinejad, se essa mudança de postura dos EUA "se baseia em uma nova aproximação, em respeito mútuo, cooperação e justiça, ou se é a continuação, disfarçada, do confronto com os iranianos."   "Se é a continuação do velho processo, então os iranianos precisam defender seus direitos e seus interesses. Mas se a postura muda, estaremos em uma nova situação e a resposta dos iranianos será positiva", assegurou.

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