Não há imprensa independente no Ocidente, diz Ahmadinejad

Para presidente do Irã, meios de comunicação ocidentais servem aos interesses políticos de seus governos

EFE

03 de outubro de 2009 | 16h12

O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, afirmou neste sábado, 3, que não existe imprensa independente no Ocidente e que os meios de comunicação da Europa e dos Estados Unidos têm como único objetivo fazer avançar a agenda política ocidental.

 

Ahmadinejad acusa imprensa de divulgar falsas informações sobre programa nuclear. REUTERS

 

Em um discurso para a assembleia da União de Televisões e Rádios Islâmicas, o dirigente iraniano acrescentou que o tratamento dado à polêmica sobre a nova planta nuclear que o Irã constrói é mais uma prova de que a informação nos países ocidentais está "teledirigida".

 

 “As declarações sobre liberdade de imprensa não são mais do que mentiras. Cada um dos meios ocidentais serve aos interesses políticos de seus Estados”, disse Ahmadinejad, citando como exemplo a cadeia de televisão estatal por satélite PressTV.

 

“Quando viajei a Nova York para a Assembleia Geral da ONU fui entrevistado por diversos veículos e todos me fizeram exatamente as mesmas perguntas. Então eu disse: como vocês podem se chamar de imprensa independente quando todas as perguntas que vocês fazem estão claramente ditadas por seus governos. Qual de todas as perguntas é de interesse do povo de vocês?”

 

Ahmadinejad enumerou três exemplos que em sua opinião constatam que os meios de comunicação do Ocidente não têm independência. O primeiro deles foi a cobertura sobre o último ataque prolongado do exército israelense na Faixa de Gaza, que causou a morte de pelo menos 1,3 mil civis palestinos.  Para o presidente iraniano, os israelenses utilizaram milhares de bombas contra a indefesa população palestina, o que impediu o acesso a medicamentos e às necessidades mais básicas. “Passados oito meses, vemos que a questão foi relegada ao esquecimento”, afirmou. Nesse sentido, insistiu que a capacidade crítica da imprensa ocidental em relação a Israel está limitada.

 

Depois, recuperou o caso de Marwa el Sherbini, uma mulher mulçumana grávida que foi assassinada a facadas pelo vizinho na sala de um tribunal da Alemanha sem que os presentes pudessem fazer alguma coisa para impedir.

 

E, em terceiro lugar, citou a cobertura sobre a denúncia dos Estados Unidos de que o Irã constrói “de forma clandestina” a segunda parte da planta de enriquecimento de urânio. “Há alguns dias, temos visto como os meios ocidentais não fazem mais do que repetir falsas acusações contra o programa nuclear iraniano”, assinalou. “Essa é a maneira como trabalham os meios de comunicação ocidentais. Primeiro distorcem a realidade e logo inventam mentiras. Depois repetem incessantemente suas falsas alegações para garantir que fiquem para sempre na mente das pessoas”, completou.

 

Ahmadinejad chegou a destacar que os principais meios de comunicação ocidentais estão se convertendo em uma ameaça muito maior do que as armas químicas e nucleares.

 

Segundo a organização internacional Repórteres sem Fronteiras, o regime iraniano levou a República Islâmica a ser “a primeira prisão do mundo para jornalistas”.

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