'Não vamos resolver o problema nuclear com ataques', diz AIEA

Diretor da agência, Mohamed ElBaradei, declarou que ataque levaria iranianos a se solidarizarem com seu país

Efe,

08 de junho de 2008 | 12h39

O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, disse que os problemas e as dúvidas da comunidade internacional sobre o programa nuclear iraniano não serão dissipados com ataques militares. "Não vamos resolver o problema nuclear com ataques militares", disse ElBaradei à edição desta semana da revista Der Spiegel. ElBaradei também declarou que um ataque militar levaria os iranianos, inclusive os que estão no exílio, a se solidarizarem com seu país e com seu governo. Além disso, o resultado de um ataque militar pode ser exatamente o contrário do esperado e acelerar o processo de construção de uma bomba atômica. "Um dia depois do ataque poderia ser iniciado um programa relâmpago para a construção da bomba", destacou o diplomata egípcio. Na entrevista, ElBaradei lembra que o regime iraniano afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos, mas o próprio diretor da AIEA destaca que ainda há muitas dúvidas que não foram esclarecidas, apesar de sequer um revólver ter sido encontrado. "Eles afirmam reiteradamente que querem usar a energia atômica para fins civis. Nós não encontramos sequer um revólver que prove o contrário, mas há elementos que levantam suspeita e dúvidas que causam preocupação", disse ElBaradei. A cooperação iraniana, segundo o diplomata, deixa muito a desejar, e a AIEA até agora não teve o devido acesso a determinadas pessoas e documentos. "Temos perguntas importantes sobre supostas experiências com detonadores atômicos e a origem e a utilização de componentes aptos tanto para uso civil quanto para uso militar", acrescentou ElBaradei.

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