Navio com ajuda a Gaza se prepara para partir da Grécia

Para governo israelense, atitude de organização humanitária líbia não passa de 'provocação barata'

Associated Press

09 de julho de 2010 | 14h07

LAVRIO - Um navio comissionado por uma organização de caridade líbia se prepara nesta sexta-feira, 9, para zarpar para Gaza carregado de material de ajuda humanitária.

 

O fato acontece depois de um mês que Israel atacou uma frota de navios que ia em direção a Gaza, matando oito turcos e um turco-americano em um deles. A frota estava tentando quebrar o bloqueio de Israel a Gaza.

 

O navio de carga com a bandeira de Moldova, chamado Amalthea, irá zarpar no sábado do porto de Lavrio, no sul de Atenas, carregando 2 mil toneladas de comida e medicamentos, disseram oficiais da organização à Associated Press. Haverá 27 pessoas a bordo.

 

A viagem de Amalthea para Gaza deve levar cerca de 80 horas. Entre os suprimentos que se encontram no navio estão incluídos sacos de arroz e açúcar, óleo de milho e pasta de oliva - a maioria doados por companhias gregas e associações de caridade, disseram os organizadores.

 

"Estou com medo, mas nossas vidas estão nas mãos de Deus", disse chefe dos voluntários Adburaufel Jaziri. "Nosso trabalho é ajudar qualquer pessoa que necessite. Nós não ligamos se eles são católicos ou muçulmanos ou qualquer coisa. Agora estamos ajudando as pessoas de Gaza que estão sofrendo".

 

Israel "pode verificar nossa carga e nossos certificados, claro que são livres para fazer isso" disse Jaziri. "Se não pudermos entregar a ajuda, deixaremos que Israel faça isso".

 

O exército de Israel não comentou sobre o barco libanês. A política de Israel tem se baseado em oferecer aos navios essa segunda opção de aportar em um posto israelense, depois do qual Israel irá checar os bens abordo e transferi-los para território palestino.

 

Ajuda humanitária só é permitida em Gaza por entrada por terra e o governo israelense aumentou o fluxo de bens para o território palestino na semana passada, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Andy David.

 

"Todos a ajuda humanitária entra livremente, portanto a intenção da Líbia não é nada mais do que provocação barata", disse.

 

Além dos 15 voluntários - todos da Líbia exceto por um nigeriano e um marroquino - o navio possui uma tripulação de onze pessoas de Cuba, Haiti, Índia e Síria.

 

O chefe da Fundação de Caridade e Desenvolvimento Internacional Gadhafi disse que as pessoas de Gaza estão enfrentando uma "catástrofe humanitária" e precisam de ajuda imediata.

 

"Chamamos a comunidade internacional para apoiar a iniciativa", disse Youssef Rawani.

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