Navio de guerra dos EUA ameaça estabilidade, diz Hezbollah

O grupo Hezbollah, aliado do Irã,acusou os EUA na sexta-feira de colocar em perigo aestabilidade regional ao estacionar um navio de guerra perto dacosta do Líbano e prometeu enfrentar o que descreveu como umato de intimidação militar. Os EUA disseram na quinta-feira ter enviado o destróier USSCole para o leste do Mediterrâneo porque o atual governo dopaís, do presidente George W. Bush, estava preocupado com oimpasse político no Líbano. "A manobra dos norte-americanos ameaça a estabilidade doLíbano e da região e é tentativa de provocar tensões", afirmouà Reuters, por telefone, Hassan Fadlallah, membro do Parlamentolibanês que integra o Hezbollah. O grupo, que conta com o apoio da Síria e do Irã, lidera aoposição que, no Líbano, trava há 15 meses uma luta de podercom a coalizão governista pró-Ocidente. O impasse, pelo qual os EUA responsabilizam a intervençãoda Síria, faz com que o país esteja sem um presidente desdenovembro. "O governo norte-americano já usou antes a políticade enviar navios de guerra para dar apoio a seus aliados noLíbano, e aquela tentativa fracassou e acabou tendo o efeitocontrário ao desejado", disse Fadlallah. "Nós não sucumbimos a ameaças e à intimidação militarvindas dos EUA a fim de implantar sua hegemonia sobre oLíbano." O primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, disse que seugoverno não pediu que os norte-americanos adotassem uma manobrado tipo. "Em relação às notícias de que navios de guerra da chegaramao leste do Mediterrâneo, é importante ressaltar que não hánavios de guerra estrangeiros nas águas territoriais doLíbano", afirmou Siniora, diante de embaixadores de paísesárabes. "Não pedimos a presença de nenhum navio de guerra." Tom Casey, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA,disse que, para os adversários dos norte-americano, a manobraseria "apenas um lembrete de que continuamos aqui." "Temos um compromisso de longo prazo com a paz e aestabilidade lá (na região), e não vamos a lugar nenhum.Pretendemos manter uma presença robusta e defensiva lá",afirmou. REPETIÇÃO "Os EUA repetem sua aventura de 82", disse em uma mancheteo jornal al-Akhbar, pró-Hezbollah, referindo-se ao envio de umgrande número de militares dos EUA para o Líbano depois dainvasão israelense, daquele mesmo ano. Naquele momento, os EUA colocaram fuzileiros em Beirute enavios de guerra na costa do país a fim de dar a um governolibanês que tentava selar um acordo de paz com Israel. As forças norte-americanas precisaram retirar-se depois devários atentados suicidas cometidos por militantes pró-Irã, umdos quais responsável por matar 241 fuzileiros. O governo libanês, pressionado pela Síria e pelos aliadoslibaneses dela, viu-se obrigado então a desistir do acordo depaz com Israel.

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