Negligência pode ter matado 11 explosão de mesquita no Irã

Autoridades afirmam que estoque inadequado de munição pode ter sido detonado; 191 pessoas ficaram feridas

Agências internacionais,

13 de abril de 2008 | 04h06

Autoridades iranianas afirma que a explosão em uma mesquita no sul do Irã, que deixou pelo menos 11 pessoas mortas e outras 191 feridas no sábado, 12, pode ter sido provocada pela detonação de munição abandonada num armazém próximo ao local.   O chefe da polícia do sul da província de Fars, Ali Moayyedi disse em comentários para a agência oficial de notícias Irna que ele "rejeita" a possibilidade de um bombardeamento internacional e "qualquer tipo de manifestação" por causa da explosão da mesquita no sábado. Moayedi diz que as investigações iniciais levaram à descoberta de restos de munição de uma exibição militar que ocorrera recentemente na mesquita.   "Os primeiros resultados da investigação indicam que não se trata de uma ação de sabotagem", disse Moayyedi. Citado pela televisão Alalam, ele explicou que "se organizou há tempo uma exposição de armas e munição no mesmo lugar (..) é possível que a causa seja a negligência dos responsáveis por essa exibição, que abandonaram material militar no lugar". O ministro de Relações Exteriores iraniano, Mohammad Ali Hosseini disse neste domingo que nenhum grupo assumiu responsabilidade pelo atentado.   A explosão aconteceu às 21h15 (horário local) na mesquita xiita de Seyyed ul-Shohada (Senhor dos mártires), no centro de Shiraz, onde centenas de iranianos assistiam um discurso religioso. Moyedi, assim como o porta-voz do Ministério de Exteriores, Mohamad Ali Hosseini, afirmaram que de todo modo a "investigação ainda continua para esclarecer as causas".   Os canais de televisão fizeram apelos para os habitantes de Shiraz doarem sangue aos feridos e informaram que todos os enfermeiros da cidade foram convocados para trabalhar.   Shiraz, uma cidade histórica a 900 km ao sul de Teerã, é um importante ponto turístico do país, mas ainda não havia sido atingida na série de ataques isolados que vêm ocorrendo no Irã nos últimos anos. Segundo a Fars, a maioria das pessoas que estavam dentro do centro religioso eram meninos e meninas filiados à associação Rahpoyan-e Vesal, que realiza encontros semanais todo sábado.   A explosão teria ocorrido durante o sermão de um clérigo, Hojatoleslam Anjavinejad, contra o Wahhabismo. Ele também teria atacado os praticantes da fé Bahaí, grupo que já foi a principal minoria não-islâmica do Irã. Wahhabismo é uma versão conservadora do islamismo sunita praticada em vários pontos da Pensínsula Arábica, de forma mais notória pela família real saudita; a fé Bahaí é vista como uma prática herética pelas autoridades religiosas do Irã.

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