Salih Zeki Fazlioglu/REUTERS/Anatolian
Salih Zeki Fazlioglu/REUTERS/Anatolian

Negociação com Irã termina sem acordo

Grupo de seis países não aceitou exigência do Irã para a retirada das sanções da ONU ao país

AP, REUTERS E EFE

22 de janeiro de 2011 | 10h01

As conversas entre seis potências e o Irã terminaram sem acordo por causa das exigências feitas pelo Irã como pré-condição para iniciar uma negociação sobre o seu programa nuclear. A chefe de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, disse que as seis nações (grupo que inclui os cinco países do Conselho de Segurança da ONU e mais a Alemanha) saíram "decepcionadas" com a postura do Irã durante as negociações que duraram dois dias, em Istambul, na Turquia. Há cinco anos o grupo de países exigem o fim do programa nuclear iraniano.

 

Catherine Ashton também afirmou que o Irã "não está preparado" para chegar a um acordo sobre seu programa nuclear que não seja feito sob suas próprias condições. Ela disse que os dois lados não estipularam nenhuma data para uma nova reunião, mas disse que as portas ainda continuam abertas. Da parte da delagação iraniana, as negociações poderiam ser retomadas, mas representantes também afirmaram que nenhuma data havia sido marcada.

 

"Haverá conversações, mas ainda não se decidiu o local ou a data", afirmou Abolfazl Zohrevand, assessor do chefe de negociações do Irã, Saeed Jalili, à Reuters. Em entrevista coletiva à imprensa, Jalili disse que qualquer acordo com as potências mundiais devem se basear no reconhecimento do direito do Irã em dominar todo o ciclo de produção de combustível nuclear e que o enriquecimento de urânio deve ser respeitado pelas pontências mundiais.

 

Ashton disse que as negociações neste sábado, 22, naufragaram depois da insistência do Irã para que o Conselho de Segurança da ONU retirasse as sanções impostas depois que o país se negou a para o seu programa de enriquecimento de urânio como pré-condição para novas negociações. O Irã também estava buscando o reconhecimento do seu direito de enriquecer urânio por parte dos seis países. Ashton disse que esses termos eram inaceitáveis para os interlocutores que negociavam com o Irã.

 

O programa de enriquecimento de urânio é o foco da preocupação internacional porque pode servir tanto para combustível de usinas de energia nuclear quanto para armas nucleares.

 

Teerã nega que pretenda produzir armas nucleares, insistindo que o objetivo do programa é apenas para a produção de energia. Mas as preocupações cresceram com o sigilo do Irã sobre o enriquecimento de urânio e com a recusa do país em cooperar com as tentativas da ONU de investigar as suspeitas de que os experimentos do Irã estão relacionados com armas nucleares.

 

Enquanto os seis países inciaram as negociações na sexta-feira, 20, focadas em parar o programa de enriquecimento de urânio, Teerã disse repetidamente que esta iniciativa não está em discussão. As autoridades iranianas colocaram na agenda de discussões assuntos sobre tudo, menos sobre o seu programa nuclear, como desarmamento global, as suspeitas de arsenal nuclear de Israel e as preocupações do Irã com bases militares dos Estados Unidos no Iraque e em outras regiões.

 

* Última atualização às 10h57.

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