Negociação entre Irã e potências esbarram na pesquisa de centrífugas

As negociações entre o Irã e seis potências mundiais sobre a implementação de um acordo histórico firmado em novembro, com o objetivo de congelar partes do programa nuclear iraniano em troca do levantamento de algumas sanções impostas ao país, se depararam com problemas na questão das pesquisas avançadas de centrífugas, disseram diplomatas.

LOUIS CHARBONNEAU, Reuters

08 de janeiro de 2014 | 20h46

As divergências sobre as centrífugas são uma amostra dos enormes desafios que o Irã e as seis potências enfrentam na negociação dos termos precisos do acordo provisório de 24 de novembro. Se eles forem bem-sucedidos, esperam iniciar as conversações para um acordo de longo prazo que resolva uma disputa de mais de uma década sobre as ambições nucleares do Irã.

Entre as questões que dependem de discussões políticas, que devem começar no fim desta semana em Genebra, está a da pesquisa e desenvolvimento de um novo modelo de centrífuga nuclear avançada, que o Irã diz ter instalado, afirmaram diplomatas sob a condição de manter o anonimato.

As centrífugas são máquinas que purificam o urânio para uso como combustível em usinas de energia atômica ou, se purificado em um nível elevado, em armas.

"Essa questão (as centrífugas) está entre os principais fatores para a interrupção das conversas técnicas prévias em 19-21 de dezembro", afirmou um diplomata ocidental à Reuters, sob a condição de não ter o seu nome revelado.

Outros diplomatas ocidentais confirmaram que as centrífugas continuam sendo um "ponto nevrálgico" nas conversações com o Irã, mas observaram que as conversas do mês passado foram compreensivelmente adiadas por causa dos feriados de dezembro, e não pela questão das centrífugas.

"Como parte do acordo (de 24 de novembro), o Irã tem permissão para se engajar em P&D (pesquisa e desenvolvimento), mas isso é atenuado pelo fato de que está proibido de instalar novas centrífugas, exceto o que for requerido pelo desgaste natural", comentou o primeiro diplomata.

Em dezembro, o Al-Monitor, um website noticioso com foco no Oriente Médio, citou uma ex-autoridade dos EUA dizendo que o Irã tinha notificado as seis potências de que desejava instalar centrífugas adicionais "IR-2m", versões modificadas de máquinas de segunda geração. O website também afirmou que a ex-autoridade sugeriu que isso pode ter pesado nas divergências.

Mas agora diplomatas dizem que o Irã declarou às seis potências que quer prosseguir com o desenvolvimento de centrífugas ainda mais avançadas do que a IR-2m.

O Irã já está testando vários modelos diferentes e novos de centrífugas mais eficientes em sua unidade de pesquisas de Natanz, de acordo com a agência de energia nuclear da ONU. Os comunicados do Irã no mês passado de que estava testando uma nova centrífuga avançada não deixaram claro se trata-se de um modelo inteiramente novo ou de uma versão modificada de uma centrífuga já instalada.

Diplomatas ocidentais disseram se sentir desconfortáveis com a ideia de que o Irã esteja levando adiante o desenvolvimento de centrífugas ainda mais avançadas, mas a República Islâmica afirma que a pesquisa de centrífugas é crucial.

"Temos de nos certificar que nosso direito de pesquisa e desenvolvimento seja respeitado", afirmou um alto funcionário do governo iraniano, sob a condição do anonimato.

(Reportagem adicional de Fredrik Dahl, em Viena; de Justyna Pawlak, em Bruxelas; de Parisa Hafezi, em Ancara; e de Dan Williams, em Jerusalém)

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