Negociação nuclear com o Irã atinge 'marco', diz ministro

As negociações nucleares do Irã com as potências mundiais alcançaram nesta semana "um ponto de inflexão", disse na quinta-feira o chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, sugerindo que uma solução para o impasse pode ser iminente.

Reuters

28 de fevereiro de 2013 | 20h21

"Considero um marco. É um ponto de inflexão nas negociações", disse Salehi ao canal austríaco de TV ORF, durante visita a Viena para uma conferência da ONU. "Estamos nos encaminhando para metas que sejam satisfatórias para ambos os lados. Estou muito otimista e esperançoso", afirmou ele, segundo a tradução para o alemão de declarações proferidas em inglês.

Salehi, que na quarta-feira já havia se declarado "muito confiante" em um acordo, não deu detalhes sobre as discussões ocorridas no Cazaquistão, mas disse que o fato de o processo ser retomado daqui a um mês já indica um avanço.

Em outra entrevista, à agência de notícias austríaca APA, Salehi foi questionado sobre o enriquecimento de urânio até 20 por cento de pureza, atividade que o Irã começou a realizar e que preocupa o Ocidente, por representar um passo importante para o desenvolvimento de armas atômicas.

O Irã diz ter o direito soberano de enriquecer urânio para fins pacíficos, e diz que deseja produzir combustível nuclear a fim de poder exportar mais petróleo.

Mas a concentração físsil de 20 por cento é bem superior ao necessário para uso em usinas atômicas civis. A partir desse nível, dizem especialistas ocidentais, fica muito fácil chegar à concentração superior a 90 por cento necessária para o uso em armas.

Teerã afirma que precisa enriquecer urânio até 20 por cento de pureza para usá-lo em um reator de pesquisas.

Segundo Salehi, o Irã já enriqueceu cerca de 250 quilos de urânio a 20 por cento, dos quais quase cem quilos já foram processados na forma de bandejas de combustível para uso no reator de pesquisas.

"Até agora produzimos duas dessas bandejas por mês. No futuro, queremos produzir três, quatro ou talvez até mais bandejas a cada mês. É assim que queremos reduzir o estoque de urânio enriquecido a 20 por cento em médio prazo."

Contrariando o tom otimista adotado por Teerã após a última reunião com seis potências globais, autoridades ocidentais dizem que a República Islâmica ainda precisa adotar medidas concretas para esclarecer as suspeitas que cercam seu programa atômico.

Um rápido progresso nas discussões é improvável por causa das tensões políticas internas decorrentes da eleição presidencial de junho, segundo analistas.

Questionado pela APA sobre uma eventual candidatura presidencial, Salehi disse: "Não, não me sinto suficientemente capacitado para o cargo".

Estados Unidos, China, França, Rússia, Grã-Bretanha e Alemanha ofereceram nesta semana um modesto alívio nas sanções ao Irã em troca de o país restringir suas atividades mais sensíveis. As potências mundiais, no entanto, deixaram claro que não esperam uma solução imediata para o impasse, que já dura cerca de uma década.

(Reportagem de Michael Shields)

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