Negociações com Irã são passo à frente, mas impasse persiste, diz Rússia

O Irã e seis potências mundiais deram neste sábado um passo à frente nas negociações sobre o programa nuclear iraniano, mas não conseguiram chegar a um compromisso e ainda persistem desavenças sobre questões básicas para uma solução do impasse, disse o representante russo nas conversações, o vice-chanceler Sergei Ryabkov.

DMITRY SOLOVYOV, Reuters

06 de abril de 2013 | 13h13

"Certamente essas negociações foram um passo adiante", afirmou Ryabkov, mas ele acrescentou: "Nós não pudemos chegar a um compromisso neste momento". Ryabkov disse ser ainda prematuro citar uma data e local para novas negociações.

"Infelizmente, não fomos capazes de conseguir um avanço ... infelizmente, ainda estamos no limiar do passo mais importante", declarou Ryabkov em entrevista coletiva à imprensa.

"A contradição entre a boa atmosfera e a ausência de um resultado não nos permite indicar um novo local e a data para a realização de nova rodada de negociações", afirmou.

Depois de duas etapas de conversações este ano em Almaty, Ryabkov indicou que as diferenças de entendimento sobre a demanda do Irã de que seu direito de enriquecer urânio seja reconhecido são um grande obstáculo.

"Um modelo para uma solução definitiva poderia e deveria ser o reconhecimento de todos os direitos do Irã sob o Tratado de Não Proliferação (nuclear), incluindo o direito de enriquecimento (de urânio), em troca de colocar o programa nuclear do Irã sob o controle abrangente da Agência Internacional de Energia Atômica", disse Ryabkov.

"Se tal acordo ocorrer, então, em nossa opinião, as sanções contra o Irã poderiam ser totalmente removidas", complementou.

O Conselho de Segurança da ONU impôs quatro rodadas de sanções contra o Irã para tentar forçar o país a refrear seu programa nuclear e eliminar suspeitas de que possa estar desenvolvendo a capacidade de produção de armas nucleares.

"O problema é que o lado iraniano insiste em uma sucessão de eventos diferentes e até mesmo usa termos diferentes", observou Ryabkov, acrescentando que essa foi "a fonte de toda a disparidade" entre o Irã e as seis potências mundiais envolvidas nas negociações.

O fracasso em chegar a um acordo que permita aliviar a crescente preocupação internacional sobre a contestada atividade nuclear do Irã foi um novo revés aos esforços diplomáticos, iniciados há cerca de uma década, para resolver a disputa pacificamente.

Numa mostra da falta de progresso substancial durante o encontro na cidade de Almaty, no Cazaquistão, não parece ter sido programada nova rodada de negociações entre os dois lados.

"Em mais de dois dias de negociações tivemos discussões longas e intensas sobre os temas abordados em nossa proposta de construção de confiança", declarou a chefe de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, em entrevista à imprensa.

"Ficou claro que as nossas posições permanecem distantes", acrescentou em Ashton, que representa as seis potências - Estados Unidos, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha - nas relações com o Irã.

O Irã nega ter como objetivo a produção de armas nucleares e quer que as sanções econômicas sejam removidas e que reconheçam seu direito de enriquecer urânio. Os seis países dizem que este direito só se aplica quando a atividade nuclear é realizada sob supervisão suficiente pelos inspectores da ONU, algo que o Irã se recusa a aceitar.

(Reportagem de Dmitry Solovyov e Steve Gutterman)

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