Negociações de paz entre israelenses e palestinos não apresentam progresso

Goerge Mitchell, enviado especial dos EUA, visitou Netanyahu e Abbas na última semana

BBC

21 Maio 2010 | 11h23

JERUSALÉM - A nova tentativa do enviado especial dos EUA ao Oriente Médio de iniciar os diálogos de paz entre israelenses e palestinos na região terminou sem sinais de progresso, avalia um comunicado do governo de Israel divulgado nesta sexta-feira, 21.

 

Segundo o gabinete de Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro israelense, a visita de George Mitchell, o enviado dos EUA, gerou apenas a "possibilidade" de gestos de boa vontade por parte de Israel para retomar as negociações indiretas com os palestinos. Nenhum detalhe foi dado.

 

Mitchell se encontrou com Netanyahu na quinta-feira. Dias antes, o americano havia se encontrado com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. As conversas indiretas devem durar quatro meses e abordar assuntos como os refugiados, as fronteiras entre Israel e o futuro Estado palestino e a situação da cidade sagrada de Jerusalém.

 

As negociações entre as partes estavam paralisadas desde janeiro de 2009, quando Israel empreendeu a Operação Chumbo Fundido na Faixa de Gaza e deixou centenas de palestinos mortos, na maioria civis. Além disso, os recentes avisos de que a construção de novos assentamentos para colonos judeus nos territórios ocupados não seria interrompida irritou os palestinos.

 

O grupo palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza, criticou a retomada das negociações, alegando que elas "dariam a cobertura para a ocupação israelense cometer mais crimes sobre os palestinos".

 

O diálogo deveria ter sido retomado em março, mas os palestinos deixaram a mesa de negociações quando as autoridades israelenses anunciaram a aprovação da construção de mais 1.600 casas em Jerusalém Oriental. O anúncio foi feito durante a visita do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, que havia viajado à região justamente para pedir às partes que retomassem as negociações, e causou constrangimento.

 

A posição formal dos palestinos é de que as conversas diretas só serão iniciadas quando Israel anunciar a paralisação total da construção de novos assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

 

Em novembro, Israel anunciou a paralisação provisória da expansão dos assentamentos, o que duraria 10 meses. O decreto, embora feito por pressão dos EUA, não abrange a área leste de Jerusalém. Essa porção da cidade foi tomada dos palestinos por Israel após a Guerra dos Seis Dias em 1967 e é reclamada pelos palestinos como a capital de seu futuro Estado.

 

Aproximadamente 500 mil judeus vivem em mais de 100 mil assentamentos na Cisjordânia, enquanto os palestinos da área somam cerca de 2,5 milhões. Os assentamentos são ilegais segundo a lei internacional, embora Israel conteste essas situação.

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