Negociações indiretas com Israel foram retomadas, dizem palestinos

Representante palestino acena para possibilidade de diálogo direto caso Israel paralise construções

Reuters

09 Maio 2010 | 17h40

RAMALLAH - Os palestinos declararam neste domingo que iniciaram negociações indiretas com Israel mediadas pelos EUA. Os americanos, por sua vez, alertaram a ambos os lados para não minarem os esforços de paz.

 

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EUA pedem cautela nas negociações

 

"Posso declarar oficialmente que as conversas de aproximação começaram," afirmou o negociador palestino Saeb Erekat a repórteres após o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, ter se encontrado com o enviado especial dos EUA ao Oriente Médio, George Mitchell, em Ramallah.

Reproduzindo um pedido americano para uma futura mudança em direção a negociações diretas, e refletindo as baixas expectativas públicas de progresso, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que a paz será impossível sem contatos diretos. "Se ele (Netanyahu) anunciar uma paralisação completa da construção de assentamentos, haverá negociações diretas," rebateu Eretak.

Netanyahu, que lidera um governo de coalizão dominado por partidos pró-assentamentos, rejeitou a paralisação da construção de casas judaicas nos territórios ocupados.

Pouco após o anúncio, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Philip Crowley, pediu cautela nas negociações. "Como ambos os lados sabem, se algum tomar atitudes significativas durante as conversas de aproximação e que nós julgamos que irão minar seriamente a confiança, responderemos para mantê-las sob controle e garantir que as negociações continuem", disse. 

Os palestinos dizem que os EUA deram garantias de que o país agirá se qualquer lado fizer algo que prejudique as conversas. Para eles, isso significa uma garantia de que Israel não vai anunciar a construção de novos assentamentos.

O impasse quanto aos assentamentos forçou Mitchell a procurar uma nova forma de conduzir as negociações entre ambos os lados, cujas conversas foram, em sua maioria, diretas desde o início do processo de paz no Oriente Médio, no começo dos anos 90.

Os palestinos consentem que as negociações são um avanço, embora modesto, para as tentativas do presidente norte-americano, Barack Obama, de reiniciar as conversas de paz, suspensas há 18 meses. EUA e Israel têm exortado Abbas a concordar em negociar.  "Temos uma oportunidade," disse Eretak, listando as fronteiras de um futuro Estado palestino e a segurança como principais focos nas negociações.

Mitchell, que retornará ao Oriente Médio na próxima semana, não teceu comentários públicos desde que a OLP (Organização pela Libertação da Palestina) aprovou quatro meses de negociações indiretas no sábado.

Os palestinos querem estabelecer um Estado na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, tendo Jerusalém como capital. Israel capturou essas regiões na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e considera Jerusalém sua capital, uma reivindicação que não é reconhecida internacionalmente.

Natanyahu afirmou que as conversas indiretas começariam "sem condições prévias," uma aparente referência às demandas dos EUA e dos palestinos para frear a construção de casas para judeus perto e dentro da Jerusalém Oriental. Falando de seu gabinete, Netanyahu disse que "as conversas de aproximação devem se tornar conversas diretas em breve. A paz não pode vir pela distância, ou com controle remoto."

Um assistente de Netanyahu, que pediu para não ser identificado, disse que o primeiro-ministro está considerando a criação de um pacote de gestos de boa vontade em relação aos palestinos se as negociações indiretas vingarem.

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