'Negociador' do Taleban era impostor, diz 'New York Times'

Afegão que se reunia com governo de Hamid Karzai não era líder insurgente, segundo o jornal

Reuters

23 de novembro de 2010 | 09h25

CABUL - O jornal americano The New York Times afirmou nesta terça-feira, 23, que um homem anteriormente descrito pela publicação como um "líder do Taleban" envolvido em "negociações secretas de paz" com o governo do Afeganistão na verdade era um impostor.

O jornal disse que o homem se reuniu três vezes com representantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e do governo afegão, mas que na segunda-feira as autoridades dos EUA confirmaram que "perderam as esperanças" de que ele fosse realmente o mulá Akhtar Muhammad Mansour.

"O falso líder do Taleban chegou mesmo a se reunir com o presidente Hamid Karzai, tendo sido levado a Cabul em um avião da Otan e conduzido ao palácio presidencial", disse o Times, citando fontes não-identificadas.

O jornal havia dito em 20 de outubro que as negociações envolviam "discussões amplas, frente a frente, com comandantes do Taleban".

Suspeitas

Na terça-feira, o jornal The Washington Post revelou suspeitas de autoridades afegãs de que o negociador do Taleban na verdade fosse um "humilde comerciante" de Quetta, cidade paquistanesa para onde líderes rebeldes fugiram em 2001.

Karzai negou ter se reunido com qualquer pessoa de nome Mansur, e disse que os relatos da imprensa estrangeira sobre contatos com o Taleban são "publicidade e mentiras".

O New York Times disse nesta terça-feira que conversações em alto nível hierárquico com o homem que eles pensavam ser Mansur "parece ter conseguido pouco". "Não é ele", afirmou o jornal, citando como fonte um diplomata ocidental, em Cabul, não identificado e que disse ter estado intimamente envolvido nas conversas. "E nós lhe demos um monte de dinheiro, disse o diplomata, segundo o jornal de Nova York.

 

Karzai lançou um plano de reconciliação com os rebeldes afegãos que visa a reintegração dos membros do Taleban em troca do fim da luta armada. Os supostos contatos entre as lideranças insurgentes e do governo, porém, são negados por ambos os lados.

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