Neta de Khomeini é presa em protestos no Irã, diz oposição

Entre os cerca de 30 detidos no protesto estaria o irmão de Khatami; Mousavi é impedido de se manifestar

estadao.com.br,

11 de fevereiro de 2010 | 14h51

A polícia iraniana prendeu nesta quinta-feira, Zhara Eshraqi, neta do fundador da república Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini, informaram sites ligados à oposição do país. O irmão do ex-presidente reformista Mohamad Khatami, Mohamad Reza Khatami, também teria sido detido, além do filho do líder reformista Mehdi Karroubi.

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As prisões, que não foram confirmadas nem desmentidas por fontes oficiais, teriam sido feitas no centro de Teerã quando eles se dirigiam às manifestações convocadas pelos reformistas.

De acordo com a oposição ao menos 30 pessoas durante os protestos no centro de Teerã por conta das comemorações do 31º aniversário da Revolução Islâmica.

Dezenas de milicianos pró-governo foram às ruas com pedras, bastões e armas de fogo e atacaram dois os carros de dos principais líderes da oposição no país, Mehdi Karroubi e o ex-presidente Mohammed Katami. Nenhum dos dois ficou ferido no episódio, promovido por integrantes da milícia Basij.

Os meios de comunicação estatais não mencionaram os enfrentamentos e as prisões. A televisão estatal apenas detalhou que "dezenas de milhões de pessoas" assistiram aos desfiles para respaldar a revolução e o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Perfis do serviço de microblogs Twitter que se dizem ligados aos líderes opositores publicaram vídeos na internet com imagens dos protestos desta quinta. A proibição sobre a imprensa estrangeira de cobrir as manifestações, porém, impede que a veracidade dos vídeos seja comprovada.

Os enfrentamentos já eram previstos para esta quinta-feira. Os líderes oposicionistas Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi convocaram seus simpatizantes a participar de manifestações contra o governo.

Sites de oposição pediram aos manifestantes que usem roupas ou emblemas verdes - a cor adotada pelo movimento oposicionista após a eleição de 12 de junho do ano passado.

Em antecipação às comemorações desta quinta, o chefe da polícia iraniana, Esmail Ahmadi Moghaddam, disse que a Guarda Revolucionária e a milícia islâmica Basij estão prontas para enfrentar qualquer problema.

"Estamos totalmente preparados para realizar uma comemoração segura e gloriosa", disse ele à agência de notícias oficial Fars. "Estamos acompanhando de perto as atividades do movimento sedicioso, e várias pessoas que estavam se preparando para atrapalhar as comemorações de 11 de fevereiro foram presas", afirmou.

A Polícia entrou em conflito com manifestantes em várias regiões da capital e lançou gás lacrimogêneo e bolas de tinta para facilitar a identificação e a prisão de quem estivesse envolvido nos protestos, informaram os sites opositores.

Uma testemunha disse que tentou se unir aos manifestantes da oposição, mas logo se retirou. "Éramos uns 300, no máximo 500, contra 10 mil pessoas", disse a mulher a um repórter. "Isso significa que eles ganharam e nós perdemos. Conseguiram reunir muita gente", disse a fonte.

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