Netanyahu atrai esquerda de Israel para governo de direita

Likud e trabalhistas consegue acordo; decisão precisa ser ratificada pelo partido de Ehud Barak

Agências internacionais,

24 de março de 2009 | 05h04

O líder do partido de direita Likud, Benjamin Netanyahu, chegou nesta terça-feira, 24, a um acordo com o líder do Partido Trabalhista e ministro da Defesa, Ehud Barak, para a formação do próximo governo israelense. Porém, o acordo de coalizão ainda não é definitivo já que, ainda nesta terça, atual ministro da Defesa Ehud Barak deverá submetê-lo à aprovação do comitê central do partido, formado por 1.470 pessoas e que pode cessar o andamento do processo.

 

 

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Um acordo com os trabalhistas, liderados pelo Barak, daria mais estabilidade política e legitimidade internacional ao futuro gabinete.  Equipes dos dois partidos passaram a noite negociando os últimos detalhes de um acordo que oferece aos trabalhistas entrar no Executivo de Netanyahu com cinco ministros, dois vice-ministros e ocupando um cargo de presidente de comissão parlamentar, segundo informa a imprensa local.

 

Metade dos deputados trabalhistas no Parlamento é contra a adesão por causa da oposição de Netanyahu aos esforços de paz. A expectativa é de que o resultado da votação seja apertado. Netanyahu é um crítico das negociações de paz com os palestinos. Ele argumenta que as condições atuais não são adequadas para se buscar um acordo. Nas últimas semanas, porém, ele amenizou seu discurso em uma tentativa de atrair facções mais moderadas do cenário político de Israel.

 

Na última semana, muitas vozes dentro do trabalhismo se opuseram a entrar em um governo liderado pelo Likud e sete dos 13 deputados que o Partido Trabalhista conseguiu nas últimas eleições manifestaram oposição a um pacto como o alcançado esta manhã. Segundo o acordo alcançado, o novo governo deverá desenhar um plano para a paz no Oriente Médio, continuar com as negociações de paz e se comprometer a respeitar os acordos assinados por Israel até o momento, além de "fazer cumprir a lei" sobre os assentamentos judaicos na Cisjordânia.

 

Ultradireita

 

O provável futuro primeiro-ministro de Israel deu mais um passo na segunda-feira para a formação de uma coalizão majoritária no Parlamento, depois que o partido ultraortodoxo Shas anunciou que integrará seu governo. A entrada da legenda religiosa confirma as expectativas de que o futuro gabinete estará fortemente inclinado para o campo direitista.

 

Na semana passada, Bibi havia firmado um acordo com Avigdor Lieberman, líder do partido de ultradireita Israel Beiteinu e principal revelação das eleições de 10 de fevereiro. Com o pacto, a pasta das Relações Exteriores poderá ficar com Lieberman - figura polêmica, acusada de racismo por defender um juramento de fidelidade ao Estado judeu a todos os cidadãos árabes-israelenses.

 

Em troca do apoio a Netanyahu, o Shas deverá controlar quatro ministérios e assegurar benefícios à comunidade ultraortodoxa sefardita, sua base eleitoral. Entre as pastas cedidas por Bibi, estão os estratégicos ministérios da Habitação, que controla a construção de colônias na Cisjordânia, e o do Interior, responsável pela concessão de cidadania. O Shas opõe-se radicalmente à negociação de Jerusalém Oriental, de maioria árabe, em um eventual acordo com a Autoridade Palestina (AP) e defende a ampliação da colonização israelense na Cisjordânia.

 

Matéria atualizada às 7h30.

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