Netanyahu defende ação militar no Irã se sanções falharem

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o mundo deve deixar claro que o Irã enfrentará "uma ação militar crível" se as sanções impostas ao país não convencerem Teerã a abandonar seu programa nuclear.

JOANNE ALLEN, REUTERS

18 de março de 2011 | 10h39

Em entrevista à CNN na noite de quinta-feira, Netanyahu disse que o Irã claramente mantém ambições nucleares, apesar das várias rodadas de sanções internacionais, e está muito mais perto de obter armas nucleares.

"Eles já enriqueceram (purificaram) material suficiente para quase três bombas nucleares", disse o premiê direitista. "Eles ainda têm de enriquecê-lo novamente, mas isso é o que eles estão fazendo. A única coisa que vai funcionar é se o Irã souber que haverá uma opção militar crível caso as sanções fracassem."

Questionado sobre o que queria dizer, Netanyahu afirmou: "Isso significa uma ação que derrube as instalações nucleares deles".

O Conselho de Segurança da ONU já impôs quatro rodadas de sanções ao Irã por sua recusa em paralisar o seu programa de enriquecimento de urânio, que as potências ocidentais suspeitam estar voltado para o desenvolvimento de uma arma nuclear.

O Irã nega as acusações de Israel e de países ocidentais de que estaria enriquecendo urânio para produzir armas atômicas. O país garante que seu programa está voltado para fins energéticos pacíficos.

Netanyahu disse que uma eventual ação militar deveria ser liderada pelos Estados Unidos, preferencialmente. Argumentou que um arsenal nuclear iraniano seria uma preocupação não só para Israel, pois agravaria os riscos globais de proliferação nuclear.

"Esse não é só um problema nosso. É um problema da Europa e dos Estados Unidos", afirmou.

Numa longa entrevista, Netanyahu disse também não estar surpreso com o envio de tropas da Arábia Saudita ao vizinho Barein, para ajudar o pequeno reino insular a conter protestos da maioria xiita.

"Acho que eles estão preocupados com uma possível tomada do Barein pelo Irã, o que na prática colocaria o Irã a uma ridícula distância da Península Arábica", disse Netanyahu.

"A Arábia Saudita está trabalhando para proteger seus próprios interesses. Mas há um enorme interesse global em assegurar que os poços de petróleo do mundo, que as maiores reservas mundiais de abastecimento petrolífero, não caiam em mãos iranianas ou pró-iranianas", afirmou.

Questionado sobre os protestos pró-democracia que varrem o mundo árabe, Netanyahu disse que o Oriente Médio teria "um futuro brilhante" com uma democratização real.

Ele disse, no entanto, que, se o Irã continuar imune às mudanças "e a interferir em outros lugares para transformá-los nas chamadas repúblicas islâmicas (...), esse seria o pior pesadelo."

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