Gali Tibbon/AP
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Netanyahu desconfia de comissão que investigará assalto à frota humanitária

Segundo premiê israelense, comitê nomeado pela ONU já tem 'tendências adversas' a Israel

Efe,

25 de julho de 2010 | 22h52

JERUSALÉM- O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse neste domingo, 25, que seu governo pode não cooperar com a missão de investigação do Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU sobre o assalto israelense à "Flotilha da Liberdade", porque o grupo tem "tendências adversas".

 

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O premiê comparou a missão, cujos membros foram nomeados na última sexta, com a liderada pelo juiz Richard Goldstone, também formada pelo CDH, que acusou Israel e o movimento islâmico Hamas de crimes de guerra durante o ofensiva em Gaza há um ano e meio, na qual morreram cerca de 1.400 palestinos, em sua maioria civis.

 

Em 31 de maio, comandos israelenses atacaram em águas internacionais uma frota de navios que levava ajuda humanitária a Gaza, operação que deixou nove ativistas turcos mortos gerou duras críticas internacionais contra Israel.  Pressionado, o país aliviou o bloqueio ao território palestino.  As novas regras permitem a entrada de todo o tipo de produtos em Gaza. Apenas armas, materiais de construção e outros bens, como substâncias químicas, passam por uma rigorosa supervisão antes de ingressar no território.

 

"É semelhante ao Comitê Goldstone, com tendências adversas", disse Netanyahu na reunião semanal do conselho de ministros, antes de explicar que ainda não se decidiu sobre "quanto material técnico seria fornecido (pela comissão a Israel), se é que eles tem algum".

 

Fontes oficiais israelense confirmaram à Efe a veracidade das declarações, noticiadas pela edição digital do jornal Yediot Aharonot e não incluídas na tradicional mensagem aberta aos meios no início da reunião, na qual vários ministros se disseram contra colaborar com a missão do CDH.

 

O ministro do Interior, Eli Yishai, disse que "não há espaço para outro comitê", ainda mais quando "Israel já nomeou uma comissão, já que não há um Exército mais moral no mundo do que o israelense".

 

"Estão nomeando comitês contra nós. Não vejo utilidade de cooperar com eles", disse o titular da pasta de Ciência e Tecnologia, Daniel Hershkowitz.

 

As reações concordantes foram divulgadas no mesmo dia em que a imprensa israelense adiantou que o governo se recusará a colaborar com a comissão, formada pelos especialistas Karl T. Hudson-Phillips, de Trinidad e Tobago; Desmond de Silva, do Reino Unido; e Mary Shanthi Dairiam, de Malásia.

 

Uma fonte oficial declarou á Efe que embora o Executivo ainda não tenha uma decisão oficial, é difícil que as autoridades colaborem com um comitê que tem um "mandato pervertido porque já acusa Israel e não deixa muita margem à comissão".

 

"Não creio que seja possível que cooperamos com esta comissão. Não é lógico que cheguem de Genebra e interfiram na Comissão (interna israelense sobre os atos" e peçam o mesmo material", acrescentou o funcionário.

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