Netanyahu discute assentamentos em reunião com Merkel

A chanceler destacou desejo de seu país de ver Israel interromper construção dos controversos assentamentos

AE-AP,

27 de agosto de 2009 | 18h15

Com as memórias do Holocausto como cenário, os líderes de Israel e da Alemanha conversaram nesta quinta-feira sobre a necessidade de manter o Estado judeu a salvo de ameaças como o Irã com armas nucleares. A chanceler Angela Merkel também destacou o desejo de seu país de ver Israel interromper a construção de seus controversos assentamentos. Ela disse aos jornalistas, após o encontro com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que "o tempo para isso é curto".

 

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A reunião de Netanyahu com Merkel na capital alemã ocorreu um dia depois de um raro sinal de progresso nas tentativas de levar Israel e os palestinos de volta à mesa de negociação. Os dois lados indicaram que a primeira reunião de seus líderes pode acontecer nas próximas semanas.

 

Uma reunião entre Netanyahu e o presidente palestino Mahmoud Abbas, que funcionários disseram que pode acontecer em setembro durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em Nova York, seria um passo simbólico importante para a retomada das conversações de paz. "Eu espero que num prazo de um mês ou dois, possamos relançar as negociações", disse Netanyahu nesta quinta-feira.

 

Mas Netanyahu não deu nenhuma indicação de que Israel vai concordar com um congelamento dos assentamentos, a condição palestina para a retomada das conversações de paz. Cerca de 300 mil israelenses vivem atualmente em assentamentos na Cisjordânia, além dos 180 mil israelenses que vivem em Jerusalém oriental. Os palestinos reclamam as duas áreas.

 

Os Estados Unidos, um forte aliado, pede que Israel interrompa a expansão dos assentamentos.

 

Netanyahu chegou a Berlim vindo de Londres, onde havia se reunido com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e com o enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell

 

O encontro do líder israelense com Mitchell, centrado nos esforços para um acordo sobre os assentamentos, parece ter sido inconclusivo. O comunicado conjunto após a reunião diz apenas que "um bom processo" foi feito.

 

Netanyahu disse que ele quer um acordo que permita a Israel continuar com a construção de alguns assentamentos, ao mesmo tempo em que reinicia as conversações de paz com os palestinos. Funcionários israelenses dizem que uma possibilidade que está sendo discutida é a de que Israel finalizaria as 2.500 unidades que estão em construção, com a promessa de não iniciar novas construções.

 

Netanyahu disse que não vai aceitar restrições em Jerusalém oriental, região capturada por Israel em 1967 e que os palestinos querem para sua futura capital.

 

Não está claro que tipo de acordo seria aceitável para funcionários norte-americanos e palestinos, que disseram que não retomarão das conversações antes de Israel interromper a construção dos assentamentos.

 

No que diz respeito ao Irã, Merkel e Netanyahu destacaram a necessidade de Teerã interromper seu programa nuclear ou enfrentar sanções mais rígidas.

 

Merkel lembrou após a reunião que a posição do Grupo dos Oito (G-8) deixou claro que um "ponto definitivo" para a atual oferta para a retomada das conversações com Teerã sobre a questão deve ser estabelecido em setembro.

 

"Se não houver resposta, então teremos de conversar sobre medidas mais duras e sanções em energia, finanças e outros importantes setores", disse Merkel.

 

Netanyahu disse que ele e Merkel também discutiram a troca do soldado israelense, prisioneiro do Hamas desde 2006. A Alemanha não confirmou as notícias de que estaria envolvida nas negociações, mas Netanyahu deu a entender que Berlim está envolvida no caso. "(Israel) agradece todos os esforços de governos bem intencionados que nos ajudem com essa questão e a Alemanha definitivamente é um governo bem intencionado", disse ele.

 

A visita de um líder israelense à Alemanha nunca se limita a assuntos atuais. Entre as reuniões com Merkel e o ministro de Relações Exteriores alemão, Netanyahu visitou a mansão Wannsee, o local de uma importante reunião em 1942 durante a qual os nazistas formalizaram seus planos para exterminar os judeus.

 

Netanyahu também recebeu projetos do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia. Ao receber a plantas, entregues pelo editor do jornal alemão Bild, que obteve o material quando ele surgiu em Berlin no ano passado, Netanyahu traçou um paralelo entre os eventos passados e atuais. "Nós não podemos permitir àqueles que desejam perpetuar assassinatos em massa, àqueles que clamam pela destruição do povo ou do Estado judeu, que não sejam contestados".

 

"É importante que os líderes de outros países entendam que seu próprio destino é colocado em perigo por aqueles que ameaçam nossa sorte". Netanyahu não mencionou explicitamente o Irã, mas foi uma clara referência ao programa nuclear do país muçulmano, visto por Israel como uma grave ameaça.

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