Netanyahu e Abbas trocam acusações por tensão em conversas

Líderes de Israel e Palestina pedem recuos, mas não abrem mão de suas exigências para retomar negociações

Reuters,

24 de setembro de 2009 | 11h11

Primeira reunião entre Netanyahu (e) e Abbas (d), promovida por Obama, foi infrutífera. Foto: AP

 

JERUSALÉM - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, exigiram um ao outro nesta quinta-feira, 24, que recuem de posições que possam impedir a volta das negociações de paz e frustrar os planos do presidente dos EUA, Barack Obama, de acabar com o impasse no Oriente Médio.

 

Em entrevistas na Organização das Nações Unidas (ONU), onde se encontraram com Obama na terça-feira, o premiê israelense disse que Abbas precisa acabar com a recusa em reconhecer explicitamente Israel como um Estado judeu. Em declaração à Radio Israel, Netanyahu disse que "a paz depende em primeiro lugar da disposição dele [Abbas] em chegar a seu povo e dizer, 'Nós... estamos comprometidos em reconhecer Israel como o Estado-nação do povo judeu'".

 

O palestino, por sua vez, afirmou que Israel precisa discutir a divisão do controle de Jerusalém e que o governo de Netanyahu é "um problema real" até para começar negociações, quanto mais para se chegar a um acordo, conforme publicou o jornal Al-Hayat. "O governo Netanyahu é um problema real, porque nós não temos um terreno comum para discutir", disse Abbas ao diário.

 

Abbas tem rejeitado essa exigência porque ela não figura em acordos interinos. Além disso, segundo representantes palestinos, ela predetermina o resultado das negociações sobre o destino dos refugiados palestinos do território que se tornou Israel em 1948.

 

"Ele diz que os assentamentos continuarão, e que Jerusalém é inegociável... E também fala que os refugiados não podem entrar nas negociações. Então o que podemos discutir, e como chegar a um acordo?"

 

Os palestinos dizem que Israel deve cumprir as exigências de acordo com o "Mapa do Caminho" de 2003 e parar a atividade de construção de assentamentos na Cisjordânia ocupada e no leste de Jerusalém, permitindo assim a volta das negociações.

 

Na terça-feira, Obama pediu uma "diminuição" dos assentamentos. O termo pareceu mais brando do que a exigência anterior dos americanos por um "congelamento", e reflete a postura EUA para pressionar por negociações sem precondições.

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