Netanyahu e Livni se reúnem no domingo para discutir coalizão

Líder da direita é indicado para formar governo e se tornar premiê; participação do Kadima é incerta

Agências internacionais,

20 de fevereiro de 2009 | 13h19

O líder direitista Benjamin Netanyahu aceitou nesta sexta-feira, 20, o pedido para formar o próximo governo de Israel e imediatamente chamou o partido centrista Kadima e o Partido Trabalhista, de esquerda, para formar um governo de união nacional. Segundo a edição digital do jornal israelense Haaretz, o futuro chefe de governo irá se encontrar com a líder do Kadima, Tzipi Livni, no domingo. A atual chanceler israelente teria dito por telefone a Netanyahu que ele estaria bem ciente de sua posição e que nada impedia a realização de um encontro.   Veja também:  Perfil: Livni, a 'senhora limpa' da política israelense Perfil: Netanyahu tenta reconduzir direita israelense ao poder   A chanceler Tzipi Livni, líder do Kadima, disse na quinta em entrevista ao jornal Haaretz que não se juntaria a um governo liderado por Netanyahu que incluísse partidos religiosos como o Shas, que se oporiam a negociações com os palestinos. Mas ela disse que estaria disposta a considerar uma coalizão formada por Likud, Kadima e Israel Beiteinu, partido ultranacionalista que acabou em terceiro lugar nas eleições parlamentares e anunciou o apoio a Netanyahu, ainda que o líder do partido, Avigdor Lieberman, tenha defendido a formação de uma ampla coalizão que inclua o Kadima, mas com Bibi como premiê.   Com o anúncio, Netanyahu tem agora um mês e meio para selar acordos políticos e formar uma coalizão com maioria no Parlamento. Após o anúncio, o líder do Likud reiterou seu pedido para incorporar a seu governo o Kadima e o Partido Trabalhista, argumentando que "a ameaça nuclear que representam o Irã" e a crise econômica atual pedem a formação de um governo de união nacional. Livni, porém, demonstrou não estar interessada. Ela própria tentou ser indicada pelo presidente Shimon Peres, com base no fato de que o Kadima formou a maior bancada na eleição do dia 10 - elegeu 28 dos 120 deputados, um a mais que o Likud, de Netanyahu.   Peres deixou claro que indicou Netanyahu porque só o líder direitista teria condições de formar uma maioria clara. Representantes de 65 parlamentares apoiaram Netanyahu, segundo Peres. O número corresponde à soma das bancadas do Likud e de vários partidos religiosos. Na reunião que manteve com Peres, Livni deixou claro que não pretende participar de um governo linha dura e que está preparada para ficar na oposição "caso seja necessário". "Uma ampla coalizão não tem peso se não tem uma direção política. Eu não serei um peão em um governo que seria contra os nossos ideais", disse Livni. "Quero levar Israel para um caminho no qual acredito, rumo a um processo de paz baseado em dois Estados para dois povos", afirmou a chanceler.   Esta é a primeira vez em 60 anos na história de Israel que o líder do partido mais votado não é indicado para formar o governo logo após uma eleição. Primeiro-ministro entre 1996 e 99, período de muitos atritos com os palestinos, Netanyahu disse que trabalhará pela segurança e a paz com os vizinhos de Israel. Em referências que ecoam sua campanha, ele disse que Israel enfrenta ameaças do Irã e do "terrorismo." Netanyahu tem agora um mês e meio para selar acordos políticos e formar uma coalizão com maioria no Parlamento.   O Likud terminou em segundo lugar nas eleições gerais realizadas no último dia 10 em Israel, mas o apoio de um partido de extrema direita que conseguiu formar a terceira maior bancada deixou Netanyahu em condições mais favoráveis do que o centrista Kadima, para formar um governo. A questão agora é se Netanyahu buscará uma coalizão limitada a aliados mais à direita no espectro político israelense ou se buscará uma aliança mais ampla, atraindo o Kadima para o governo. Qualquer que seja a escolha, especialistas acreditam que haverá consequências para o processo de paz no Oriente Médio.

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