Netanyahu exige que Israel antecipe eleição para trocar premiê

O líder do partido de direita Likud,Benjamin Netanyahu, defendeu nesta quinta-feira que Israelantecipe as eleições para substituir o primeiro-ministro EhudOlmert, cuja promessa de renunciar gerou incertezas a respeitodo processo de paz para o Oriente Médio. Assessores de alto escalão disseram que Olmert poderiacontinuar no cargo durante meses como premiê interino, temposuficiente para levar a cabo as negociações com os palestinos ea Síria. Mas, segundo políticos, o primeiro-ministro israelense,atingido por vários escândalos, não teria respaldo paracomprometer o país em um acordo. "Ele não possui legitimidade, nem entre a população, nem noKnesset (Parlamento) e nem no governo, para selar um acordo comos palestinos ou com a Síria que fosse obrigatório para opaís", afirmou o ministro israelense das Comunicações, ArielAttias, do partido ultra-ortodoxo Shas, um membro da coalizãocomandada por Olmert. Na quarta-feira, o premiê afirmou que deixaria o cargodepois de uma votação a ser realizada no dia 17 de setembropelo partido centrista Kadima, que escolherá um novo líder. A ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, surgiucomo principal nome da legenda para substituí-lo, mas pesquisasde opinião mostram que um número maior de israelenses dariaapoio, em uma eleição geral, a Netanyahu, um crítico dasmanobras de paz do governo. Vários meses podem se passar até que um novo líder doKadima reuna uma coalizão majoritária, e ovice-primeiro-ministro Haim Ramon disse à emissora de TV CanalDois que Olmert continuaria no cargo em caráter interino atéfevereiro ou março, pressupondo-se que novas eleições sejamconvocadas. Uma autoridade israelense que não quis ter sua identidaderevelada afirmou que o premiê, "durante o tempo que lhe restano cargo", dará prosseguimento aos esforços para assinar, com olíder palestino, Mahmoud Abbas, um acordo sobre a criação de umEstado palestino. Livni, a principal negociadora de Israel nos contatos comos palestinos, disse em Nova York que esse processo continuavaavançando, apesar do anúncio feito por Olmert. Analistas, no entanto, disseram não ser realista esperarque Olmert consiga selar acordos amplos. "Quem fará um acordocom ele quando sabe que ele não conseguirá cumpri-lo?. Ele estáse transformando em uma figura meramente representativa", disseGadi Wolfsfeld, da Universidade Hebraica. Em declarações dadas na Tunísia, Abbas prometeu trabalharcom Olmert e com seu sucessor apesar da "instabilidade" emIsrael. Quatro ministros do Kadima lançaram campanhas parasubstituir o atual premiê na votação de 17 de setembro. O maiorrival de Livni na disputa é o ministro Shaul Mofaz(Transportes), um ex-ministro da Defesa conhecido pelas medidasduras que adotou para reprimir um levante palestino. Netanyahu poderia tentar bombardear os planos do Kadima deformar um novo governo tentando, ele próprio, reunir uma basemajoritária no Parlamento, seja para formar seu governo ou sejapara antecipar as eleições marcadas inicialmente para 2010. "Esse governo atingiu seu fim e não importa mais quem seráo líder do Kadima", disse Netanyahu. "A responsabilidadenacional dita que regressemos ao povo e realizemos novaseleições." Uma pesquisa conduzida pelo Canal Dois depois do anúnciofeito por Olmert registrou 39 por cento de apoio aos planos deNetanyahu para tornar-se premiê, contra 34 por cento aos deLivni. (Reportagem adicional de Joseph Nasr, Ari Rabinovitch eAvida Landau)

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