Netanyahu firma coalizão com ultraortodoxos em Israel

Líder do Likud inicia negociações com o Partido Trabalhista, de esquerda, para tentar formar gabinete

Efe e Reuters,

23 de março de 2009 | 05h47

O líder do Likud e primeiro-ministro nomeado de Israel, Benjamin Netanyahu, chegou na madrugada desta segunda-feira, 23, a um acordo com o partido ultraortodoxo Shas para sua entrada no próximo governo, informa a imprensa local. Netanyahu iniciou ainda negociações com o Partido Trabalhista de Israel, de centro-esquerda, para formar uma coalizão alternativa ao governo de direita que poderia causar divergências com os Estados Unidos sobre a paz no Oriente Médio.

 

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 Negociadores do partido Likud encontraram-se com trabalhistas poucas horas após o primeiro-ministro indicado pelo presidente Shimon Peres ter recrutado o partido ultraortodoxos judeu Shas para a coalizão. A aliança com o Shas, após acordo firmado também este mês com o partido Yisrael Beitenu, do ultranacionalista Avigdor Lieberman, deixa Netanyahu mais próximo de estabelecer um governo de direita.

 

Em virtude do acordo, os ortodoxos receberão quatro ministérios com seu líder, Eli Yishai, assumindo os cargos de ministro do Interior e vice-primeiro-ministro de Netanyahu. Além disso, o Shas terá os ministérios da Habitação, com Ariel Atias, e da Religião, a cargo de Yitzhak Cohen. O quarto ministro da formação, Meshulam Nahari, não comandará nenhuma pasta, embora seja nomeado com este status, segundo o acordo firmado.

 

"Israel deve enfrentar numerosos desafios, tanto sociais quanto econômicos, diplomáticos e de segurança. Portanto, é conveniente somar forças e formar um Governo amplo", disse Yishai à imprensa após assinar o acordo com Netanyahu. Por sua vez, o deputado do Likud e destacado negociador nos contatos para a formação do governo, Gideon Sa'ar, afirmou que seu partido continuará as conversas para ampliar a coalizão nos próximos dias. "Agora temos 53 deputados segundo os acordos de coalizão liderados por Benjamin Netanyahu e, nos próximos dias, trabalharemos para expandir a base parlamentar deste governo", declarou.

 

Essa coalizão poderia colocar Netanyahu em rota de colisão com o novo presidente dos EUA, Barack Obama, que prometeu agir por um acordo de paz no Oriente Médio que inclua uma território para os palestinos.

 

A promessa feita por Netanyahu de indicar Lieberman como chanceler despertou preocupação internacional. Liebeman propôs transferir as terras onde a maioria dos 1,5 milhão de árabes moradores de Israel vive para um futuro Estado palestino, em troca dos assentamentos judeus na Cisjordânia ocupada.Netanyahu, que ainda busca a maioria nos Parlamento de 120 membros, quer mudar o foco da atualmente congelada negociação com os palestinos da disputa territorial para questões econômicas.

 

Matéria atualizada às 9h10.

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