Baz Ratner/Reuters
Baz Ratner/Reuters

Netanyahu impõe a palestinos condição para congelar assentamentos

Para premiê israelense, palestinos precisam reconhecer Israel como Estado judeu; liderança palestina rejeita

Josef Federman, da Associated Press,

11 de outubro de 2010 | 15h05

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu ofereceu estender a moratória a novas construções na Cisjordânia, nesta segunda-feira, mas somente se os palestinos aceitarem o reconhecimento de Israel como o Estado dos judeus.

 

Com sua proposta, Netanyahu tentou apresentar uma maneira de superar a suspensão do diálogo de paz entre israelenses e palestinos a somente um mês do início das negociações. Mas os palestinos rechaçaram imediatamente suas exigências.

 

Netanyahu havia sido pressionado pelos Estados Unidos e outros países para que renovasse as restrições sobre os assentamentos que venceram há pouco. Os palestinos haviam advertido que deixariam a mesa de negociação se a moratória não fosse estendida.

 

Netanyahu, que é líder de uma coalizão de partidos religiosos e nacionalistas, havia resistido em estender a moratória, mas disse que estava disposto a fechar algum tipo de acordo.

 

Ao dirigir-se ao Parlamento nesta segunda-feira, Netanyahu disse que renovará as restrições sobre os assentamentos se os palestinos reconhecerem Israel como a pátria dos judeus.

 

"Se os lideres palestinos disserem claramente a seu povo que reconhecem Israel como pátria do povo judeu, estaria disposto a reunir meu governo e pedir a ele uma suspensão adicional", disse em um discurso, que foi interrompido repetidamente por legisladores árabes.

 

O primeiro-ministro já fez esse tipo de pedido antes, mas nunca o havia vinculado expressamente ao problema dos assentamentos. No domingo, o gabinete israelense aprovou uma lei que obrigaria aos imigrantes que não são judeus a expressar sua lealdade ao estado "judeu e democrático" de Israel para poder receber a cidadania.

 

A discriminação dos palestinos

 

Os palestinos se negam a aceitar Israel como um estado judeu, e alegam que isto discriminaria a maioria árabe do país e violaria os direitos de milhões de refugiados palestinos espalhados pelo mundo. Em troca, sustentam que é suficiente reconhecer que Israel tem o direito de existir.

 

O delegado palestino encarregado das negociações como Israel, Saeb Erekat, disse que Netanyahu não está levando a sério a situação.

 

"Não vejo nenhuma relação entre suas obrigações de acordo com a lei internacional e sua intenção por definir a natureza de Israel", disse. "Espero que parem com os jogos e comecem o processo de paz ao frear os assentamentos".

 

Cerca de 300 mil colonos judeus vivem na Cisjordânia, além de 200 mil israelenses que vivem em bairros vizinhos de Jerusalém oriental. Os palestinos reclamam ambas para seu futuro estado independente.

 

Por outro lado, na noite do domingo, 10, o combativo chanceler israelense Avidgor Lieberman desatou uma nova polêmica no mundo diplomático ao dizer aos representantes da diplomacia espanhola e francesa, Bernard Kouchner e Miguel Moratinos, que se preocupem com seus próprios problemas antes de criticar Israel.

 

Durante um jantar com seus pares europeus, o conservador Lieberman lhes disse que uma vez que a Europa resolva seus próprios problemas, então ele está disposto a aceitar suas sugestões.

 

Não ficou claro o que haviam dito os europeus para provocar a fúria do chanceler.

 

Funcionários da diplomacia disseram que Kouchner e Moratinos falaram com Lieberman nesta segunda-feira para expressar o descontentamento com suas declarações.

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