Netanyahu pede apoio mundial contra relatório da ONU sobre Gaza

As potências mundiais deveriam rejeitar o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) que censura a guerra de Israel em Gaza, disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, nesta quinta-feira, insinuando que tal apoio pode ser vital para o progresso nas conversas de paz com os palestinos.

DAN WILLIAMS, REUTERS

17 de setembro de 2009 | 19h30

Uma missão organizada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para levantar os fatos disse na terça-feira ter provas de crimes de guerra tanto por parte do Exército de Israel quando dos combatentes palestinos.

Israel, que defendeu sua ofensiva de dezembro e janeiro como uma reação ao lançamento de foguetes palestinos, desdenhou as descobertas dizendo que favorecem o Hamas, grupo islâmico em controle de Gaza. Especialistas israelenses expressaram temor de que o relatório leve a julgamentos de crimes de guerra.

Os EUA, maiores aliados de Israel, disseram ter "preocupações muito sérias" com o relatório. Susan Rice, embaixadora norte-americana na ONU, o classificou como "parcial, desequilibrado, essencialmente inaceitável."

Netanyahu, que sofre pressão internacional para congelar os assentamentos judeus na Cisjordânia para que as conversas com os adversários palestinos do Hamas possam ser retomadas, disse que comentaria o relatório na Assembleia Geral da ONU na próxima semana.

"Vou dizer aos líderes mundiais que eles também sofrem com o terror", disse ele em entrevista à rede de televisão Channel Two TV.

"Vou dizer a eles: vocês dizem apoiar nosso direito de autodefesa e que devemos assumir riscos pela paz (...) não me digam isso depois do próximo acordo, digam agora. Manifestem-se, rejeitem esse relatório e ajam para conter suas consequências agora."

Israel retirou seus soldados e colonos da Faixa de Gaza em 2005 após 38 anos de ocupação, mas viu o crescimento do Hamas e um aumento no lançamento de foguetes. Os palestinos dizem que os bloqueios dos israelenses ao empobrecido território inflamou a inimizade.

Recordando o enorme apoio internacional à retirada de Gaza, Netanyahu disse: "E agora essa mesma comunidade internacional que nos aplaudiu está apontando um dedo acusador contra nós, como se nós, e não o Hamas, fossemos os criminosos de guerra."

O B'Tselem, um grupo de direitos humanos de Israel, disse na semana passada que 773 dos 1.387 palestinos mortos durante a guerra em Gaza eram civis. Israel disse que 709 combatentes, 295 civis e 162 pessoas cujo status não pode ser verificado foram mortas.

Trezes israelenses, sendo dez soldados e três civis, morreram no conflito.

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