Netanyahu pressiona EUA a não trabalharem com o Irã para estabilizar o Iraque

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse neste domingo que os Estados Unidos deveriam tentar enfraquecer tanto o Irã quanto os insurgentes muçulmanos sunitas que estão se dirigindo para Bagdá, pressionando a administração Obama a não trabalhar com Teerã para ajudar a estabilizar o Iraque.

BY WILL DUNHAM, REUTERS

22 de junho de 2014 | 19h03

"O que vocês estão vendo hoje no Oriente Médio, no Iraque e na Síria é o ódio gritante entre radicais xiitas, nesse caso liderados pelo Irã, e radicais sunitas, liderados pela al Qaeda, ISIL e outros,” disse Netanyahu ao programa “Meet the Press” da rede de TV NBC, referindo-se ao grupo do Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

“Agora, esses dois são inimigos dos EUA. E quando seus inimigos estão lutando entre si, não fortaleça nenhum deles. Enfraqueça os dois”, acrescentou Netanyahu.

Netanyahu, conhecido por ter um relacionamento tenso com o presidente americano Barack Obama, descreveu como um “erro histórico” o acordo provisório que os EUA e outras potências mundiais firmaram com o Irã em novembro, para coibir alguns aspectos do seu programa nuclear, em troca de uma limitada flexibilização das sanções impostas a Teerã.

Referindo-se à crise do Iraque, vizinho do Irã, Netanyahu disse: "Acho que o pior resultado que pode sair dessa situação é, de longe, que uma dessas facções, o Irã, acabará ficando com a possibilidade de ter armas nucleares. Isso seria um erro trágico... Isso tornaria todo o resto insignificante, comparado a isso.”

Obama disse na quinta-feira que o Irã pode desempenhar um papel construtivo no Iraque, se seguir a orientação dos EUA de pressionar para que todos os lados do Iraque sejam respeitados, acrescentando que os EUA pressionaram o Irã a não incentivar medidas que levariam a uma guerra civil no Iraque.

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, acusou os EUA neste domingo de tentar retomar o controle do Iraque explorando as rivalidades sectárias. Ele não mencionou a recente sugestão do presidente iraniano de cooperação com os EUA, velho adversário de Teerã, em defesa de seu aliado mútuo em Bagdá.

Netanyahu diz que o programa nuclear do Irã é a maior ameaça à segurança global. O Irã nega que esteja buscando a capacidade de fazer uma bomba nuclear.

Os EUA disseram na semana passada que, embora o prazo de 20 de julho para a negociação com os seis países esteja se aproximando, ainda não está claro se o Irã está preparado para tomar as medidas necessárias para garantir ao mundo que suas ambições nucleares são totalmente pacíficas.

“Espero que eles não apareçam com um acordo ruim” para as negociações nucleares, afirmou Netanyahu.

“O que eu acho que está sendo discutido, no caso do Irã, pela comunidade internacional, é que se você remover a maior parte das sanções e o Irã puder manter a maior parte dos recursos, a maioria dos estoques a maior capacidade de produzir os meios para fabricar armas nucleares, isso mudará a história. Seria um erro monumental,” disse o líder israelense de linha dura.

(jpveiga@uol.com.br)

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