Netanyahu promete buscar paz com mundo islâmico e árabe

Novo primeiro-ministro israelense afirma que não quer governar os palestinos, mas não fala em dois Estados

Agências internacionais,

31 de março de 2009 | 12h32

Em seu primeiro discurso no Parlamento, pouco antes de tomar posse, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nesta terça-feira, 31, disse que vai buscar uma "paz plena" com o mundo árabe e islâmico e elogiou a religião muçulmana. Netanyahu, que evita falar numa solução para o conflito com os palestinos com a criação de dois Estados, não endossou explicitamente a independência da Palestina, mas afirmou que não quer "governar outro povo. Não queremos governar os palestinos. Sob um acordo permanente, os palestinos terão a autoridade necessária para se governarem".

 

Veja também:

Olmert diz que Exército do país é o mais ético do mundo

Perfil: Netanyahu reconduz a direita israelense ao poder

 

Netanyahu disse a líderes palestinos que a paz é possível e prometeu três áreas de negociação com o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Em cerimônia no parlamento israelense, antes de votação para aprovar o novo gabinete de Israel, o líder de direita afirmou que o Irã e os radicais islamitas são as maiores ameaças à paz no Oriente Médio e alertou a Autoridade Palestina para que ela faça a sua parte em combater o terrorismo se leva a paz a sério. "Digo à liderança palestina, se vocês realmente querem a paz, a paz pode ser obtida. Com a Autoridade Palestina, vamos buscar a paz em três caminhos - economia, segurança e política".

 

O líder do Likud ressaltou ainda que fará o possível para libertar o soldado israelense Gilad Shalit, capturado por milícias palestinas em 2006 em Gaza. No final do pronunciamento, leu a lista contendo os 30 ministros que farão parte da nova coalizão governamental, a maior em número de pastas na história israelense.

 

O novo gabinete é um grupo pouco coeso e turbulento, formando por judeus ultraortodoxos, partidos da linha-dura religiosa, extremistas laicos nacionalistas de direita e o centrista Partido Trabalhista, bem como o Likud, partido de direita de Netanyahu. Para satisfazer seus novos parceiros e aliados, Netanyahu criou novas posições ministeriais - tantas que os marceneiros do Parlamento tiveram que trabalhar na madrugada desta terça-feira para alargar a mesa do gabinete.

 

A inchada administração, dizem críticos, é resultado do excesso de promessas de postos para atrair aliados. Netanyahu se viu obrigado a fazer malabarismos nas últimas semanas para dar espaço no novo governo aos membros mais destacados de seu partido, após ter feito generosas concessões aos principais grupos que apoiam sua coalizão: a extrema direita do Yisrael Beiteinu e o Partido Trabalhista.

 

Funcionários ocidentais estão preocupados com a escolha de Netanyahu do seu ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, cuja proposta de exigir juramentos de lealdade dos cidadãos árabes israelenses é vista como um ataque racista à minoria. Enfrentando a perspectiva de choque com a administração Obama, Netanyahu tem se dedicado nas últimas semanas a remodelar a própria imagem. O estabelecimento de um Estado da Palestina é um dos objetivos da administração norte-americana atual.

 

Após uma campanha eleitoral na qual ele criticou as conversações de paz mantidas pelo governo israelense que está de saída, ele suavizou a posição, trouxe os trabalhistas para a coalizão e disse que buscará a paz com os vizinhos árabes de Israel. De qualquer maneira, Netanyahu tem sido vago sobre suas propostas de paz.

 

Durante a campanha, Netanyahu disse que os esforços seriam para desenvolver a economia arruinada dos palestinos, enquanto questões como uma demarcação de fronteiras e a disputa pelo controle de Jerusalém seriam deixadas para o futuro. Na semana passada, ele disse que deseja ser um "parceiro da paz" com os palestinos e discutir questões importantes.

 

Israelenses e palestinos recebem o novo governo com uma mistura de esperança e temor. Muitos não sabem e nem imaginam o que será. "Eu não sei se isso será bom. É esperançoso. Eu não sei se é de direita ou de esquerda. É algo diferente", disse a israelense Monica Haber, que vive no assentamento judaico de Nokdim, na Cisjordânia. O mais famoso morador de Nokdim é Lieberman, indicado para o cargo de chanceler.

 

Yariv Oppenheimer, que lidera o grupo israelense Paz Agora, disse ter certeza que os ativistas israelenses favoráveis à paz terão muito trabalho durante o governo de Netanyahu. "O novo governo israelense é um dos mais direitistas que nós tivemos aqui em Israel. Infelizmente, acreditamos que como movimento pacifista teremos muito trabalho nos próximos anos protestando contra esse governo", disse Oppenheimer.

 

O porta-voz do grupo de resistência islâmica, o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, disse que o novo governo de Israel aumentará os riscos para a população palestina e a região inteira. "Esse governo racista e extremista levará a região do ruim ao péssimo", disse Fawzi Barhoum.

 

Matéria atualizada às 14h05.

Tudo o que sabemos sobre:
Israel

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.