Netanyahu quer retomar negociação com palestinos em 2 meses

Premiê de Israel diz não esperar avanços em breve, mas deve se reunir com Abbas e Obama em setembro

Reuters,

24 de agosto de 2009 | 11h57

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não espera avanços na reunião desta semana com um enviado do governo dos EUA, mas prevê que as negociações de paz com a Palestina possam ser retomadas em dois meses, disse nesta segunda-feira, 24, um porta-voz do governo.

 

"O primeiro-ministro espera que haja um certo grau de progresso, mas nenhum avanço notável é esperado", disse o porta-voz antes de uma reunião de Netanyahu com George Mitchell, enviado da Casa Branca para questões do Oriente Médio, em Londres. De acordo com o representante israelense, o premiê deixará claro que Israel pretende "atender às necessidades normais" dos colonos, "junto com um processo político a ser lançado num prazo de dois meses."

 

Além de Mitchell, Netanyahu deve se encontrar com os primeiros-ministros Gordon Brown, do Reino Unido, e Angela Merkel, da Alemanha, que também são críticos à política de Israel para os assentamentos.

 

A imprensa especula que poderia haver uma reunião entre Netanyahu e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, sob a supervisão do presidente dos EUA, Barack Obama, durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro. Abbas condiciona a retomada do processo de paz com Israel, suspensa desde dezembro, à paralisação das obras nos assentamentos.

 

Desde que assumiu a administração de Israel, em março deste ano, Netanyahu assumiu uma posição conservadora na questão dos assentamentos e disse que não paralisaria a as construções por conta do "crescimento natural" do número de assentados na Cisjordânia. Cerca de meio milhão de judeus vive na região e em Jerusalém Oriental, territórios capturados por Israel em 1967 e reivindicados pelos palestinos como parte de seu futuro Estado. A Corte Mundial considera os assentamentos ilegais.

 

A imprensa israelense sugere que continua havendo uma profunda divisão entre Israel e Washington. Agora, Netanyahu se mostra disposto a congelar a ampliação dos assentamentos durante seis meses, mas sem afetar projetos já em andamento. Já os EUA querem uma suspensão de pelo menos dois anos.

 

Netanyahu também busca garantias americanas de que um eventual acordo em torno dos assentamentos seria acompanhado por medidas dos países árabes no sentido de normalizar suas relações com o Estado judeu.

 

"O primeiro-ministro não concordou com nada, e não sei se irá concordar," disse a ministra israelense da Cultura, Limor Livnat, quando questionada por uma rádio sobre as iniciativas dos EUA. A ministra, entretanto, admitiu que as negociações do premiê podem levar a um acordo "por um período (que limite) o lançamento de novos projetos de construção."

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