Netanyahu reafirma que buscará paz com vizinhos de Israel

Presidente elogia propostas para negociação com palestinos; gabinete pode ser apresentado nesta terça

Efe e Reuters,

30 de março de 2009 | 13h23

O primeiro-ministro designado e líder do partido de direita Likud, Benjamin Netanyahu, reafirmou nesta segunda-feira, 30, que seu governo tentará conseguir a paz com "todos os vizinhos" árabes, mas novamente evitou falar na criação de um Estado palestino. "O Governo que vou construir fará tudo o que for necessário para conseguir uma paz justa e duradoura com todos nossos vizinhos e o resto do mundo árabe", afirmou Netanyahu, que nesta terça deve apresentar seu novo gabinete ao Knesset (Parlamento israelense).

 

Em um comparecimento por ocasião de uma sessão extraordinária pelo 30º aniversário do tratado de paz entre Israel e Egito, Netanyahu disse que "cada um de nossos vizinhos que estiver disposto a ir pelo caminho da paz encontrará nossa mão estendida". No entanto, novamente se absteve de revelar se sua intenção é trabalhar sobre a fórmula de "dois Estados - um judeu e outro palestino - para dois povos", base do processo de negociação de Annapolis que começou no final de 2007.

 

Durante a campanha eleitoral, Netanyahu defendeu a "fórmula econômica" como solução ao conflito palestino-israelense, rejeitada pela Autoridade Nacional Palestina (ANP), a comunidade internacional e ainda primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert. Nas últimas semanas, o líder do Likud mencionou várias vezes que "negociará" com a ANP, mas sem fazer referência ao processo de Annapolis.

 

O presidente de Israel, Shimon Peres, elogiou o futuro premiê por propor negociações com os palestinos, embora sem prometer explicitamente a criação de um Estado para eles, como querem os EUA. Na véspera da posse do direitista Netanyahu, Peres, um dos mentores dos primeiros acordos israelo-palestinos da década de 1990, falou durante uma visita a Praga sobre o compromisso declarado pelo novo governo no sentido de negociar a paz.

 

Em Jerusalém, Netanyahu entregou ministérios a membros do seu partido, o Likud, concluindo os últimos retoques num governo que será dominado por facções direitistas e judaicas ortodoxas, mas que também incluirá o Partido Trabalhista (centro-esquerda). "Eles dizem que devemos continuar as negociações com os palestinos (...), negociar com cada um dos nossos vizinhos", disse Peres, ex- dirigente trabalhista, que na qualidade de presidente foi o responsável por convidar Netanyahu para tentar formar uma coalizão depois da inconclusiva eleição parlamentar de 10 de fevereiro.

 

Peres lembrou que as diretrizes do novo gabinete incluem uma promessa de respeitar todos os acordos internacionais firmados por Israel - uma fórmula que inclui tratados que preveem a futura criação de um Estado palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. "Dizem que vão respeitar o compromisso do governo anterior, então acho que é um começo muito razoável e promissor", disse Peres, ganhador do Nobel da Paz, a jornalistas.

 

Houve preocupação no exterior com a indicação por Netanyahu do político ultranacionalista Avigdor Lieberman como chanceler. Lieberman é partidário da cessão de partes de Israel onde vivem muitos dos 1,5 milhão de cidadãos árabes do Estado judeu, em troca de assentamentos judaicos dentro da Cisjordânia.

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