AP Photo/Majdi Mohammed
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Netanyahu diz que discurso do secretário de Estado dos EUA foi 'grande decepção'

Primeiro-ministro de Israel acusou Jonh Kerry de concentrar fortemente o seu discurso nos assentamentos israelenses, mas não se preocupar com a violência promovida pelos palestinos

O Estado de S.Paulo

28 Dezembro 2016 | 18h50

WASHINGTON - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou na tarde desta quarta-feira, 28, que o discurso do secretário de Estado dos EUA, John Kerry, foi "uma grande decepção".

Em uma transmissão ao vivo na TV israelense, Netanyahu criticou Kerry por um discurso que considerou "altamente crítico" com Israel em um momento no qual, segundo o premiê israelense, a região está "em chamas".

Netanyahu disse que "durante uma hora, o secretário de Estado americano atacou a única democracia que existe no Oriente Médio". O premiê também acusou Kerry de concentrar fortemente o seu discurso nos assentamentos israelenses, mas não se preocupar com a violência promovida pelos palestinos.

No início da tarde, em Washington, Kerry fez uma defesa acirrada da política do governo de Barack Obama em relação a Israel em um discurso nesta quarta-feira, alertando que a solução de dois Estados está "sob ameaça".

Os comentários de Kerry ocorrem em meio a tensões entre os EUA e Israel, após o governo de Obama ter evitado usar o veto na semana passada na votação do Conselho de Segurança da ONU, que aprovou uma resolução que condena os assentamentos israelenses na Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

Kerry afirmou que a decisão dos EUA de se abster da votação da semana passada foi "em acordo com nossos valores".

"Algumas pessoas parecem acreditar que a amizade dos EUA significa que temos de aceitar qualquer política, independente de nossos próprios interesses, nossas próprias posições, palavras, nossos próprios princípios - mesmo após pedir e pedir novamente para que essa política mudasse", disse Kerry. "Amigos precisam dizer as coisas difíceis uns para os outros", comentou.

Kerry disse que as condições no local de "violência, terrorismo, expansão de assentamentos, incitamento ao ódio e a ocupação que parece não ter fim...estão juntas para destruir as esperanças de paz para ambos os lados e cimentar uma situação irreversível da realidade de apenas um estado que a maioria das pessoas não quer".

O secretário de Estado dos EUA disse que o país fez mais por Israel do que qualquer outro país. "Esse amigo que bloqueou diversas tentativas de deslegitimar Israel, não pode se manter fiel aos próprios valores se permitirmos que a uma solução para dois Estado viável seja destruída diante de nossos olhos", declarou Kerry./AP e Dow Jones

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