Yossi Zeliger/EFE
Yossi Zeliger/EFE

Netanyahu vence emenda para adiar eleições do próximo mês em Israel

Premiê teme que pleito reforce extrema-direita, que não quer retomar diálogos com palestinos

29 de abril de 2010 | 19h46

Reuters

 

JERUSALÉM- O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, repeliu nesta quinta-feira, 29, um desafio a sua liderança feito por oponentes de extrema-direita dentro de seu partido, o Likud, enquanto Washington tenta descongelar conversações de paz entre palestinos e israelenses.

 

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Um oficial do partido afirmou que Netanyahu ganhou o apoio de 76% do Comitê Central do Likud em uma emenda para atrasar as já agendadas eleições por 20 meses, ao invés de realizá-las no próximo mês, como planejado.

 

Acredita-se que Netanyahu teme que qualquer pleito interno neste momento reforce a extrema-direita do Likud, contrária a qualquer tentativa dos Estados Unidos de atingir um acordo de paz que culmine no Estado palestino.

 

O voto do partido foi o primeiro desafio eleitoral de Netanyahu desde as eleições de fevereiro de 2009, e foi visto como uma chance dada a ele para acatar os pedidos americanos sobre a retomada das negociações de paz, estancadas desde dezembro de 2008.

 

O enviado americano ao Oriente Médio, George Mitchell, é esperado em uma nova visita à região nos próximos dias para dar seguimento a conversações não concluídas com líderes israelenses e palestinos, com o objetivo de retomar as negociações indiretas.

 

Uma questão central nos diálogos são as construções de Israel em Jerusalém Oriental, território conquistado na guerra de 1967.

 

Netanyahu afirmou que não iria congelar as construções de novos assentamentos judeus em qualquer lugar de Jerusalém, cidade que Israel considera como sua capital - o que não é internacionalmente reconhecido.

 

Os palestinos querem Jerusalém Oriental como capital do Estado que pretendem estabelecer em West Bank e na Faixa de Gaza, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas impôs o congelamento das construções judias como condição para a retomada de diálogos.

 

Moshe Feiglin, um líder da facção de extrema-direita do Likud visto como rival de Netanyahu, acusou o premiê de "ter cedido às demandas do presidente Barack Obama" para congelar os assentamentos na região de Jerusalém, o que Netanyahu negou.

 

O primeiro-ministro chamou seus rivais de extremistas, e afirmou que seu partido luta "pela paz verdadeira, e isso é no que mais focamos".

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