Nicolas Sarkozy faz visita inédita ao Iraque

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, chegou na terça-feira a Bagdá para a primeira visita de um chefe de Estado francês desde a invasão norte-americana de 2003 no Iraque, à qual Paris se opôs. Sarkozy, acompanhado do chanceler Bernard Kouchner, reuniu-se com o presidente Jalal Talabani e deveria em seguida encontrar o primeiro-ministro Nuri Al Maliki, segundo autoridades francesas e iraquianas. A visita não foi anunciada previamente. A viagem de Sarkozy deve ter uma boa repercussão junto à opinião pública francesa, agora que o impopular George W. Bush deixou o poder nos EUA. Antes, qualquer coisa que denotasse apoio às políticas norte-americanas no Iraque causaria péssima impressão na França. No final de 2008, o Iraque e o governo Bush firmaram um acordo estipulando o fim da presença militar dos EUA até o final de 2011. Durante a campanha eleitoral, no entanto, o atual presidente dos EUA, Barack Obama, prometeu um processo mais rápido, que leve à retirada de todos os cerca de 140 mil militares dos EUA num prazo de 16 meses a partir da posse, em janeiro. Mas a cúpula militar norte-americana continua defendendo uma retirada mais gradual, para não colocar a segurança do Iraque em risco, depois da notável melhora dos últimos 18 meses. No final de janeiro, o Iraque realizou a sua eleição mais pacífica dos últimos anos, e as autoridades agora se empenham em trazer investimentos estrangeiros, especialmente de empresas de petróleo. Mas atentados suicidas e com carros-bomba continuam sendo comuns, e a visita de Sarkozy, parte de uma viagem pelo Oriente Médio, foi cercada de sigilo. "Esta visita não foi anunciada por razões de segurança", explicou a presidência francesa. A última visita francesa de primeiro escalão ao Iraque ocorreu em maio de 2008, quando Kouchner passou alguns dias no país, salientando o interesse de Paris em se comprometer com o Iraque, deixando para trás a forte oposição à guerra realizada pelos EUA no país. A França tinha uma relativa proximidade com o Iraque na época do regime de Saddam Hussein, e o então presidente francês, Jacques Chirac, liderou a oposição internacional à invasão norte-americana de 2003, que derrubou o ditador. Desde que foi eleito, em 2007, Sarkozy busca melhorar as relações com os EUA. Um diplomata que participa da delegação disse que o objetivo da visita é apoiar a democratização e reconstrução do Iraque, e também "virar a página" com relação à guerra. Kouchner, um dos poucos políticos franceses que apoiaram a intervenção militar no Iraque, havia anteriormente se desculpado com Maliki depois de declarar à revista Newsweek que ele deveria ser substituído. (Reportagem adicional de Emmanuel Jarry, em Muskat)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.