Rainer Jensen/Efe
Rainer Jensen/Efe

No dia do Holocausto, presidente de Israel critica Irã em Berlim

Peres compara falta de ação para conter Hitler nos anos 30 com indefinição sobre programa nuclear iraniano

estadao.com.br,

27 de janeiro de 2010 | 14h03

O presidente de Israel, Shimon Peres, criticou o Irã e defendeu o julgamento de oficiais nazistas ainda vivo em um discurso no Parlamento alemão, em homenagem ao dia da Memória do Holocausto, celebrado nesta quarta-feira, 27.

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Falando em hebraico no Bundestag, Peres chamou o Irã de uma ameaça à paz mundial e comparou indiretamente a falta de ação das potências ocidentais para impedir a chegada de Hitler ao poder à polêmica sobre o programa nuclear iraniano.

 

"Este dia não se trata apenas de lembrar as vítimas e da atrocidade incompreensível que aconteceu, mas também de lembrar que a tragédia aconteceu devido à demora em agir", afirmou. "Não devemos nunca mais ignorar ditadores sedentos de sangue escondendo-se atrás de máscaras ideológicas e que gritam slogans assassinos".

 

Peres foi aplaudido pelos 622 deputados do Bundestag. Ele ainda elogiou os dissidentes no Irã, que desde as eleições de junho de 2009 têm protestado contra o governo de Mahmoud Ahmadinejad. " "Como nossos vizinhos, nos identificamos com os milhões de iranianos que protestam contra a ditadura e a violência", acrescentou.

 

Julgamento de nazistas

 

Peres ainda pediu que os criminosos nazistas que continuam vivos sejam perseguidos e levados à Justiça. "Peço que façam tudo o possível para que seja aplicado o castigo justo a esses criminosos", afirmou.

 

De acordo com o presidente, aos "olhos" dos judeus, o processo judicial desses criminosos não é questão de "revanche", mas de "educação". "Os jovens devem lembrar, não podem esquecer e devem saber o que ocorreu", acrescentou.

 

Peres, de 86 anos, é o terceiro presidente israelense a discursar no Parlamento alemão. Ele venceu o prêmio Nobel da paz em 1994, pelo esforço nas negociações de paz com os palestinos. Ele foi uma das figuras-chave na construção do reator nuclear de Dimona, nos anos 60. Acredita-se que Israel seja a única potência nuclear do Oriente Médio.

 

Com informações da Reuters e da Efe

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