No dia mais sangrento de 2011, Iraque teme volta da Al Qaeda

O dia mais sangrento do Iraque em 2011 lembrou de maneira brutal ao governo e às forças dos Estados Unidos que a Al Qaeda local ainda é capaz de realizar complexos ataques coordenados, pondo à prova as forças de segurança no país.

PATRICK MARKEY, REUTERS

16 de agosto de 2011 | 18h01

Homens-bomba, carros-bomba e explosivos deixados em calçadas provocaram destruição em mais de doze cidades e aldeias iraquianas na segunda-feira, matando 70 pessoas, quando faltam apenas cinco meses para a desocupação militar norte-americana.

Os atentados, aparentemente coordenados, perturbaram a calma no mês sagrado do Ramadã, e foram os mais letais desde março, quando militantes mataram mais de 50 pessoas num edifício público de Tikrit.

No incidente mais grave da segunda-feira, duas bombas mataram pelo menos 37 pessoas na localidade xiita de Kut. Em Tikrit, um homem-bomba atacou uma prisão onde há detentos da Al Qaeda. Outro homem-bomba detonou-se num prédio público provincial ao norte de Bagdá, deixando oito mortos.

Nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelos ataques, ocorridos tanto em áreas sunitas quanto xiitas, mas as autoridades suspeitam do Estado Islâmico do Iraque, um grupo sunita afiliado à Al Qaeda.

Especialistas em segurança dizem que a abrangência dos ataques ilustra a capacidade de resistência dos insurgentes, mas que um só dia violento não quer dizer que haverá uma retomada dos atentados regulares que eram registrados durante a fase de violência sectária em 2006 e 2007.

"Isso parece ser um retorno ao velho estilo deles, em que eles tentam realizar múltiplos ataques para passar o recado de que não são uma força esgotada", disse Jeremy Binnie, da consultoria Jane's Terrorism and Security Monitor.

"Mas eles estão se tornando mais esporádicos. Isso não necessariamente aponta para uma deterioração preocupante na segurança do Iraque em longo prazo."

Apesar da perda de territórios e de comandantes importantes, o Estado Islâmico do Iraque ainda realiza atentados de grande porte. Em outubro do ano passado, por exemplo, seus militantes invadiram uma igreja durante a missa dominical, num incidente que terminou com a morte de 52 reféns e policiais.

Autoridades dos EUA dizem que os militares iraquianos conseguirão conter as ameaças internas. Mas muitos iraquianos temem pelo futuro do país quando as tropas dos EUA forem embora.

"As impressões digitais da Al Qaeda estão em tudo isso. As autoridades provinciais de segurança deveriam ser responsabilizadas, porque falharam nos seus deveres", disse Mehdi al-Moussawi, vice-presidente do conselho provincial de Kut, depois dos atentados na cidade.

"Nossas forças de segurança merecem ser chamadas de um fracasso."

(Reportagem adicional de Rania El Gamal e Ahmed Rasheed)

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