No Dia Mundial da Paz, afegãos lamentam morte de ex-presidente

Afegãos velaram o corpo do ex-presidente Burhanuddin Rabbani na quarta-feira, Dia Mundial da Paz, em meio a temores de que seu assassinato possa agravar as divisões étnicas no país e empurrá-lo para uma guerra civil.

HAMID SHALIZI E MARTIN PETTY, REUTERS

21 Setembro 2011 | 10h08

Rabbani, importante negociador de paz, é o mais importante afegão a ser morto desde a derrubada do regime islâmico do Taliban, em 2001. O atentado foi cometido na terça-feira, na casa dele, por um insurgente com o qual Rabbani iria se reunir, e que levava explosivos escondidos no turbante.

O assassinato foi visto como uma manifestação de repúdio do Taliban às negociações de paz, num momento em que a violência no país alcança seu maior nível em quase dez anos de ocupação militar norte-americana.

Rabbani era o mais influente membro da etnia tadjique no Afeganistão. O velório dele atraiu centenas de pessoas, e a rua da sua casa foi interditada, exceto para a passagem de veículos blindados que levavam autoridades, amigos e outras personalidades.

Várias atividades marcadas em Cabul para celebrar o Dia Mundial da Paz, incluindo um show da cantora Farhad Darya apenas para mulheres, foram canceladas.

Partidários de Rabbani escolheram o alto de uma colina de Cabul, com vista para o bairro diplomático, para enterrar o homem que ganhou fama como inflamado conferencista e ativista, e que depois se tornaria ativo no combate à ocupação soviética na década de 1980. Após a queda do regime comunista, ele governou o país por um curto período.

O local onde Rabbani será enterrado foi atacado nesta semana por insurgentes que, entrincheirados em um prédio, dispararam foguetes e tiros na direção da Embaixada dos EUA e da sede local da Otan, resistindo por 20 horas ao cerco das forças afegãs.

No atentado de terça-feira, o homem-bomba passou por vários perímetros de segurança sem ser revistado, prometendo levar ao dono da casa uma mensagem da liderança do Taliban, segundo assessores de Rabbani,

"Ele foi informado de que seria uma mensagem importante, mas essa (a explosão) foi a mensagem que ele recebeu", disse à Reuters o ex-chanceler Abdullah Abdullah, correligionário do político morto.

"Ele fez grandes esforços para ver se havia alguma chance de fazer a paz, mas o homicida grupo Taliban, que acreditamos não acreditar na paz, enviou o pior sinal", acrescentou.

Um porta-voz do Taliban que assumiu a responsabilidade pelo atentado repetiu essa alegação na quarta-feira em conversa telefônica com a Reuters, mas corrigiu alguns detalhes de seu relato anterior, inclusive o nome dos assassinos.

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