No Egito, França diz que Israel deve deixar Faixa de Gaza

Em cúpula no Egito, líderes internacionais pedem agilidade em contatos para paz no território palestino

Agências internacionais,

18 de janeiro de 2009 | 14h18

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou neste domingo, 18, que Israel deve abandonar Gaza se o Hamas interromper o lançamento de foguetes. Os líderes internacionais que participaram da conferência sobre a Faixa de Gaza convocada pelo presidente do Egito, Hosni Mubarak, pediram a aceleração dos esforços em prol do alcance de uma "paz duradoura" na região e da consolidação dos recentes anúncios de Israel e do Hamas em favor de uma trégua.   Veja também: Hamas anuncia trégua para Israel sair da Faixa de Gaza Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques       "Israel deve declarar claramente que, se os disparos de foguetes cessarem, o exército israelense deixará Gaza. Não há outra solução para alcançar a paz", afirmou o presidente francês durante uma entrevista coletiva, após uma reunião entre líderes árabes e europeus no Egito para discutir como consolidar o cessar-fogo entre Israel e Hamas. Sarkozy acrescentou que agora era o momento de acelerar um esforço que seria definitivo para a paz no Oriente Médio: a criação de um Estado palestino.   "Acreditamos que este seja o início da nossa jornada", afirmou. "Devemos continuar e acelerar nossos esforços para chegarmos a um acordo baseado na criação de dois Estados; um Estado palestino convivendo lado a lado com um Estado israelense, que possui o direito à própria segurança."   Paralelamente, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse que, além de aumentar o auxílio financeiro da ajuda humanitária para Gaza, o Reino Unido ajudaria a transportar os feridos para os hospitais e a reconstruir os prédios na região.  "Estamos convencidos de que a paz não é impossível e que temos a obrigação moral de consegui-la", afirmou o chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, no encerramento do encontro.   Uma das questões discutidas na reunião e que ainda não foi resolvida era como impedir o tráfico de armas para Gaza na fronteira do Egito. França, Alemanha e Estados Unidos ofereceram ajuda para bloquear o fluxo do contrabando, mas o presidente do Egito, Hosni Mubarak, rejeitou firmemente a presença de forças de supervisão internacional na fronteira com Gaza, argumentando que os egípcios possuem capacidade para exercer este tipo de fiscalização. Ele frisou que "o Egito não aceitará nenhum observador estrangeiro em seu território"   Segundo o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, que também compareceu à reunião, abrir a fronteira de Gaza com Israel era a solução para interromper o tráfico de armas. Ele afirmou que os túneis nas regiões fronteiriças de Gaza, usados pelos traficantes de armas, também são utilizados pelos habitantes para a obtenção de alimentos e combustíveis. "O contrabando é um problema porque Gaza está sufocada. O que mais eles poderiam fazer além de contrabandear itens dos quais precisam em meio ao bloqueio?", avaliou.   O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, recebe também em Jerusalém os chefes de Estado numa tentativa de escorar o cessar-fogo na Faixa de Gaza com a ajuda destes países contra o contrabando de armas para o Hamas. Com exceção do primeiro-ministro tcheco, Mirek Topolanek - também presidente rotativo da União Europeia -, todos os outros cinco líderes europeus chegarão a Israel entre 18h30 e 19h (14h30 e 15h de Brasília), vindos do balneário egípcio de Sharm el Sheikh, onde participarão de uma cúpula para a reconstrução de Gaza. Como o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, não foi convidado para a cúpula no Egito, Israel vê a visita dos seis chefes de Estado ou de governo da Europa como "uma possibilidade para expressar" seu ponto de vista após os acontecimentos em Gaza nas últimas semanas, acrescentaram as fontes.   Trégua do Hamas   O grupo palestino Hamas anunciou neste domingo um cessar-fogo de uma semana na Faixa de Gaza. Segundo a BBC, o grupo disse que suspenderá o lançamento de foguetes e deu a Israel sete dias para retirar suas tropas do território palestino. O vice-líder do Hamas na Síria, Abou Marzouk, disse que a trégua é em nome de "todas as facções de resistência palestinas". "Nós anunciamos um cessar-fogo de nossas facções na Faixa de Gaza e enfatizamos que nossa exigência é a retirada das forças inimigas do território em uma semana, juntamente à reabertura de todas as fronteiras para facilitar o envio de ajuda humanitária, comida e todas as necessidades para o nosso povo".   O grupo enfatizou que a trégua será temporária a menos que Israel atenda essas exigências. Um porta-voz do ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, não deu uma resposta direta ao discurso do líder do Hamas. Palmor disse à BBC que as tropas serão retiradas no "momento certo" e se o Hamas "interromper de vez os ataques com foguetes".   O anúncio do Hamas foi feito horas depois de o governo israelense declarar trégua unilateral em Gaza. O líder do Hamas no exílio, Khaled Meshaal, fará um anúncio "importante" na tarde deste domingo a respeito do cessar-fogo israelense. A trégua entrou em vigor nas primeiras horas desta manhã mas foi rompida horas depois, quando tropas israelenses retaliaram ataques com foguetes de Hamas. Segundo fontes israelenses, 18 foguetes palestinos atingiram o território de Israel neste domingo provocando retaliação. Um deles atingiu uma casa em Ashod ferindo duas pessoas levemente.   Pouco após a retaliação desta manhã, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse que o cessar-fogo unilateral declarado no sábado era "frágil" e que estava sendo reavaliado "minuto a minuto". Médicos em Gaza dizem que pelo menos 95 corpos foram retirados de escombros de prédios e casas destruídos durante três semanas de ofensiva israelense. Fontes dos serviços de saúde palestinos dizem que pelo menos 1.300 pessoas morreram e 5,1 mil ficaram feridas desde o início dos confrontos, em 27 de dezembro. Do lado israelense, 13 pessoas morreram, sendo três delas civis, segundo o Exército do país.

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