No Egito, Rice e Gates tentam angariar mais apoio árabe

A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, e o secretário de Defesa norte-americano, Robert Gates, uniram forças no Oriente Médio, na terça-feira, a fim de convencer aliados árabes a envolverem-se mais profundamente nos esforços para estabilizar o Iraque e contrabalançar a ascensão do Irã. As duas autoridades do primeiro escalão do governo liderado pelo presidente George W. Bush chegaram ao balneário egípcio de Sharm el-Sheikh prometendo dezenas de bilhões de dólares em uma ajuda militar que, segundo afirmaram, poderia ajudar no combate à Al Qaeda, ao Hezbollah, à Síria e ao Irã. Em outra manobra capaz de agradar seus aliados árabes, os EUA assinaram uma declaração dando apoio ao plano de paz árabe para israelenses e palestinos. Rice e Gates, que realizam uma rara visita conjunta e que devem desembarcar também na Arábia Saudita, pediram aos países árabes que se esforcem mais para fazer com que se reconciliem as facções em conflito no Iraque. "Todos os envolvidos precisam, neste momento, usar seu poder de influência para garantir o sucesso desse esforço de reconciliação nacional", afirmou Rice em uma entrevista coletiva concedida ao lado do ministro das Relações Exteriores do Egito, Ahmed Aboul Gheit. "Isso significa uma intensificação dos esforços por parte dos que possuem influência (sobre o Iraque)", acrescentou. Os EUA buscaram várias vezes ajuda árabe para solucionar a crise no Iraque, mas os aliados árabes dos norte-americanos possuem pouca ou nenhuma influência sobre aquele país. Antes de partir para o Oriente Médio, Rice anunciou uma ajuda militar de 13 bilhões de dólares para o Egito nos próximos dez anos, mantendo o mesmo nível verificado nos últimos seis anos. Mas o governo norte-americano ofereceu um aumento de cerca de 25 por cento na ajuda militar oferecida a Israel --de 30 bilhões de dólares em dez anos. Outros países da região também devem receber ajuda no setor. Rice negou que os EUA estejam oferecendo os pacotes como forma de conseguir mais ajuda no Iraque, onde enfrentam insurgentes xiitas e sunitas. "Não se trata de uma questão retributiva. Trabalhamos ao lado desses países para enfrentar o terrorismo", afirmou. O Irã criticou as promessas envolvendo a venda de armas e acusou os EUA de tentarem desestabilizar a região. Em Sharm el-Sheikh, os norte-americanos endossaram também a iniciativa árabe de paz para palestinos e israelenses, assinando um documento por meio do qual conclamavam Israel, indiretamente, a aderir ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Uma autoridade dos EUA disse que a declaração não divergia da postura adotada pelo país em outras ocasiões. Nas reuniões realizadas no Oriente Médio, Rice também discutiu os planos dos EUA para a realização de uma conferência neste ano com o objetivo de reavivar as negociações de paz entre palestinos e israelenses.

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