No Egito, Rice tenta apoio para criação do Estado Palestino

Secretária de Estado do EUA quer que Cairo mantenha o seu papel de mediador do conflito no Oriente Médio

Agências internacionais,

16 de outubro de 2007 | 09h07

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, chegou nesta terça-feira, 16, ao Cairo, onde deve se reunir com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, para buscar apoio à conferência da paz para o Oriente Médio que será realizada em Annapolis, nos Estados Unidos, em novembro. Após uma viagem ao Oriente Médio, Rice apelará aos dirigentes egípcios para que eles exerçam seu papel tradicional de mediador na região, já que o Egito é o único país árabe, junto com a Jordânia, que assinou a paz com Israel. Rice desembarcou no aeroporto do Cairo, de onde se dirigiu diretamente a um dos palácios presidenciais da capital para reunir-se com Mubarak. A diplomata americana também se encontrará com o secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa, na sede desta instituição pan-árabe. O Egito é também um dos parceiros mais leais dos EUA no Oriente Médio, embora seu ministro de Assuntos Exteriores, Ahmed Aboul Gheit, tenha advertido na segunda que, a menos que não haja um acordo sobre a base das negociações, a conferência de Annapolis, que em princípio será realizada em novembro, deveria ser adiada. "A precipitação para realizar a conferência sem um acordo prévio sobre um documento substantivo e positivo poderia prejudicar as chances de alcançar uma paz justa", assegurou Aboul Gheit, segundo informa a imprensa egípcia. Durante coletiva com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, em Ramala, na Cisjordânia, Rice disse que chegou a hora de ser criado um Estado palestino e que as atuais negociações entre Israel e a Autoridade Palestina são o "esforço mais sério dos últimos anos para tentar por um fim a este conflito".  Segundo a BBC, a secretária de Estado disse esperar que israelenses e palestinos cheguem a um acordo sobre o documento a ser apresentado em uma reunião de paz. Os palestinos dizem que se o documento não for definido previamente, com compromissos específicos e um cronograma, não irão participar do encontro. Já os israelenses não acham necessário que exista um consenso sobre o texto antes da conferência.  Jerusalém  Também na segunda-feira, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, indicou pela primeira vez que ele estaria inclinado a ceder em um dos pontos mais polêmicos da negociação com os palestinos, a partilha de Jerusalém. Em um discurso no Knesset, o Parlamento israelense, ele questionou a necessidade de Israel ter anexado áreas de maioria palestina ao leste de Jerusalém depois de uma guerra em 1967. "Foi necessário anexar o campo de refugiados de Shufat, Al-Sawahra, Walajeh e outros vilarejos e afirmar que isso também é Jerusalém? Tenho que admitir, pode-se fazer algumas perguntas legítimas sobre isso", disse.  Os palestinos querem que Jerusalém Oriental seja a capital do futuro Estado palestino, mas durante muito tempo as autoridades israelenses vinham se recusando a sequer considerar essa possibilidade.

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