No Iraque, Bush acena com redução de contingente militar

O presidente dosEstados Unidos, George W. Bush, acenou na segunda-feira com aperspectiva de redução de tropas no Iraque, após se reunir comseus comandantes em uma base aérea no deserto. Mas ressalvouque qualquer redução só ocorrerá se os norte-americanosestiverem em posição de vantagem. As principais autoridades civil e militar dos EUA no Iraqueprestam na semana que vem um importante depoimento ao Congressosobre a estratégia de Bush, que neste ano elevou o contingentenorte-americano no país de 130 mil para 160 mil soldados. Bush viajou de surpresa à província de Anbar, no oeste doIraque. Escolheu essa província sunita, ex-reduto deinsurgentes que já foi considerado uma causa perdida para osEUA, para ilustrar o que segundo ele é uma dos maiores casos desucesso da sua nova estratégia militar. O presidente encontrou o comandante David Petraeus e oembaixador Ryan Crocker para ouvir de primeira mão a avaliaçãodeles sobre o aumento das tropas. Militares norte-americanosdizem que a violência diminuiu, mas que será preciso mais tempopara consolidar a situação. "O general Petraeus e o embaixador Crocker me dizem que, seesse tipo de sucesso que estamos vendo continuar, será possívelmanter o mesmo nível de segurança com menos forçasnorte-americanas", disse Bush a jornalistas que o acompanham. Mais tarde, em pronunciamento a centenas de marinesentusiasmados, Bush declarou: "Essas decisões serão baseadas emuma avaliação calma por parte dos comandantes militares arespeito das condições no terreno, não por uma reação nervosados políticos por causa de resultados de pesquisas e daimprensa". "Quando começarmos a rebaixar o número de tropas no Iraque,será a partir de uma posição de força e sucesso, não de umaposição de medo e fracasso. Fazer o contrário seria incentivarnossos inimigos e tornar mais provável que eles nos ataquem emnossa casa." Bush também manteve conversas que ele chamou de "boas,francas" com líderes políticos curdos, sunitas e xiitas,inclusive o primeiro-ministro Nuri al-Maliki, criticado pelademora na aprovação de leis que promovam a reconciliaçãonacional. O presidente pediu aos políticos iraquianos que"acompanhem" o suposto progresso na segurança. "Os sucessosmilitares estão pavimentando o caminho para a reconciliaçãopolítica e o progresso econômico de que os iraquianos precisampara transformar seu país", afirmou. Bush estava acompanhado da secretária norte-americana deEstado, Condoleezza Rice, e pelo assessor de Segurança NacionalStephen Hadley. O secretário de Defesa, Robert Gates, chegouseparadamente. Geoff Morrell, porta-voz do Pentágono, disse quese tratava praticamente de uma "reunião do conselho de guerra". A escolha de Anbar como destino foi considerada fortementesimbólica. A viagem seria impensável há alguns meses, quando aprovíncia era a mais perigosa no Iraque para as tropas dos EUA. Mas uma rebelião de tribos árabes sunitas contra a AlQaeda, que também é sunita, ajudou a pacificar Anbar, que deveser citada por Petraeus no Congresso como um caso de sucesso daestratégia militar norte-americana. Bush, que também conversou com lideres tribais locais,disse que a mudança em Anbar é um exemplo do que poderiaacontecer no Iraque. "Já foi tida como perdida. É agora um doslugares mais seguros no Iraque", afirmou.

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